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  • Henrique Correia

Calado: dos "reparos" à importância na governação


Poderá ser desastroso, para o Governo, Pedro Calado sair para a Câmara do Funchal, mesmo que seja o único a reunir o perfil social democrata para esse combate




Podemos ter reparos sobre Pedro Calado, relativamente a algumas apreciações sobre o trabalho das nove às cinco, mesmo quando estas declarações são feitas em empresas que pagam como se fosse das 9 às 13 e querem trabalho das 9 às 20. Quando pagam. Podemos ter reparos sobre Pedro Calado, em algumas habilidades de estratégia política, pela proximidade a certos sectores empresariais, que o levam, por vezes, a não ter tempo para "despir" o casaco de um ou outro desempenho. Podemos ter reparos a fazer sobre Pedro Calado, sobre a habilidade com que gere a comunicação social, onde já lá esteve a contar com apoios do Governo, para mais tarde ser, ele próprio, a ter intervenção direta na matéria enquanto governante, sem que isso, no entanto, diga-se, configure qualquer "ferimento" de ilegalidade. Podemos ter reparos a fazer sobre Pedro Calado, aquando de algumas, também habilidades, geridas junto de alguma informação, do género "dividir o caudal pelas aldeias, só algumas". Mas, também aí, só reparos.

Podemos ter esses reparos, é verdade, mas há uma coisa que não podemos fazer, que é duvidar da importância que tem, enquanto vice-presidente, neste Governo Regional liderado por Miguel Albuquerque, de tal modo que, neste momento, deixa pouca margem de manobra ao líder para a eventualidade de escolha livre para a candidatura à Câmara do Funchal. Poderá ser desastroso, para o Governo, Pedro Calado sair para a Autarquia funchalense, mesmo que seja o único a reunir o perfil social democrata para esse combate, e até tenha já participado, em páginas de jornais, e nas reuniões do PSD-M na Quinta Vigia, como se fosse mesmo o candidato já escolhido.

Mas a importância de Calado neste Governo voltou a ser evidente na apresentação do Plano de Recuperação e Resiliência, onde demonstrou o domínio completo do documento, mas também foi claro na linguagem utilizada, desde o enquadramento, com o correspondente histórico, aos montantes, para onde e porquê, bem como a calendarização e o que falta ainda fazer. Uma realidade que, a par da preponderância do dia a dia, torna-o imprescindível na governação, sobretudo num tempo destes, de enormes adversidades, e face aos novos tempos pós pandemia.

Fica a dúvida sobre se valerá a pena, ao PSD-M, "sacrificar" o Governo por uma estimativa de boa colocação de Calado na luta autárquica pelo Funchal. Só com estimativa, vitória logo se vê.





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