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  • Henrique Correia

Calado ganhou o que Cafôfo perdeu: futuro; sobrou ao PSD o que faltou ao PS: unidade


A Miguel Gouveia, faltou também trabalho visível no maior partido da coligação e demonstração de estratégia do princípio "um por todos, todos por um". O PS foi, como historicamente, inconsequente.



A boa estratégia é aquela que ganha. E isso só se sabe, obviamente, depois dos resultados. Mas existem situações que antecipam, de certo modo, alguns desfechos, pelas formas, pelos conteúdos e também pelo histórico das forças políticas, mas ainda pelos comportamentos do eleitorado e pela estrutura da sociedade madeirense.

Estas eleições autárquicas ficaram desde logo assinaladas por um posicionamento firme do PSD e do seu líder. O tal tudo ou nada para reconquistar o Funchal, perdido em 2013. E essa firmeza começou logo com a escolha do candidato, o vice presidente do Governo, Pedro Calado, que tinha dado equilíbrio ao Executivo Regional e que no fundo vinha ganhando protagonismo, inclusive ao próprio líder, posicionando-se como elemento nuclear, para dentro do partido e do Governo, mas também e sobretudo para fora, usando a sua incursão pelo mundo empresarial para de certo modo ir fazendo "lobby", que em política, como se sabe, é fundamental.

Portanto, a escolha foi por um candidato forte. E foi. Mas Calado fez mais, servindo-se do facto de ter menos anticorpos dentro do partido, de estar em condições de unir, ainda que conjunturalmente, tendências, suspender atritos e ódios antigos, que foram arrumados no baú até ver. E isso fez muita diferença em todo o processo. Não importa como, se temporário ou não, se conjuntural para esta eleição, o PSD mostrou empenho integrado, unidade interna, fundamentais para transmitir o que era preciso: o povo sentir força e confiança. A máquina ao serviço da candidatura, e quando falamos de máquina, falamos mesmo de tudo o que se possa entender por máquina, que saiu até de fora do próprio partido e que os tais 40 anos fizeram escola até em departamentos. Mas deu resultado. Depois, a gestão da pandemia, o regresso de Jardim tão rápido quanto o seu afastamento, há uns anos, completaram o conjunto de "ventos favoráveis". E o trabalho, aliado ao pacote de promessas e influências, muito apetecível à maior parte dos eleitores, deram a eleição.

Miguel Albuquerque ganhou, pela escolha. Pedro Calado ganhou, pela postura de campanha, assumiu e venceu este grande desafio, conseguiu despir o fato e habituou-se bem ao traje mais casual e ao abraço que abafa eventuais ajustes com o passado, uma vez que o povo, na generalidade, não tem tempo nem memória para ter memória. Vai para onde vê força, mais do que para a humildade confundida com fragilidade. Mas ganhou e muito, é o que conta.

Mas mantenho o que sempre escrevi. Se Pedro Calado ganhasse a Câmara ganhava futuro para, em breve, ser presidente do partido e do Governo. E para isso, não tem necessariamente que ser contra Albuquerque, será certamente uma transição preparada porque Albuquerque já o disse, não quer ficar muitos anos na Quinta Vigia. Calado ganhou futuro. Onde quiser.

Por oposição, Cafôfo perdeu futuro. Era difícil a missão depois daquela onda que quase atingiu objetivos de governação regional, arranjar forças para novo "tsunami" político. Aquela "água" não passa duas vezes. E Miguel Gouveia, o candidato perdedor, que tenho por boa pessoa e séria, sofreu com a falta de trabalho, empenho e unidade do PS, além de alguma falta de resposta a problemas que são muito próximos das pessoas, obras em cima de obras, trânsito e limpeza, problemas ampliados pela campanha. Compreendo a sua tristeza pela falta de reconhecimento, mas em política, sendo certo que é preciso falar verdade, também o povo gosta de algim "espetáculo". O povo é soberano. Não é o que dizem?

A Gouveia, faltou trabalho visível no maior partido da coligação e demonstração de estratégia do princípio "um por todos, todos por um". O PS foi, como historicamente, inconsequente. E Cafôfo terá visto isso, a par de algumas más escolhas pessoais. Demitiu-se, demonstrou atitude, fez o que muitos não teriam coragem. Assumiu que o PS perdeu, reagiu com mais qualquer coisa que não disse, mas deixou caminho aberto para a alternativa.

MIguel Gouveia perdeu, o PS perdeu e não se sabe quantos anos vai levar para "arrumar" a casa. Passou a vida a tentar arrumar a casa. Mas parece não conseguir viver com arrumação.

Mas regista-se a atitude digna do líder. Devia servir de exemplo a outros políticos, de partidos mais pequenos, cujos resultados deveriam ser incentivo para darem lugar a outros.














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