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  • Henrique Correia

Carlos Rodrigues "desmonta" os apoiantes de ocasião que procuram privilégios pessoais


Social democrata aponta os "mestres em só fazer o fácil, o que não lhes custa, dominam a arte de estar no sítio certo à hora certa".




Não é propriamente novidade o que são os partidos políticos, a importância que desempenham na construção da democracia, o peso que têm, que é demasiado, no funcionamento do sistema político e democrático, a forma como estão estruturados e o modo como se posicionam, relativamente a interesses, arregimentando os que pensam no que dizem, que são poucos, com os que vão dizem sem pensar, que são muitos. Os partidos são importantes na democracia, mas não estofo de conteúdos e de pessoas que correspondam a essa importância.

Claro que as posições assumidas pelos críticos avulso, alguns que conhecem minimanente os partidos sem nunca terem lá estado, como é o meu caso, são desvalorizadas pelas "claques" que gravitam à volta das estruturas partidárias, não vá estar em causa o emprego e as mordomias sem fazer grande coisa que não seja um "sim" permanente.

Mas quando essas críticas vêm de quem está dentro, sabe do que fala e conhece certas cabeças que pululam pelos corredores, a coisa muda de figura. É o caso da publicação feita ontem pelo deputado do PSD Madeira Carlos Rodrigues, na sua página do Facebook, sobre a campanha, cuja fórmula está ultrapassada - concordo inteiramente e já abordei essa temática, como também o inexplicável e inútil dia de reflexão - mas sobretudo sobre as gentes, algumas, dos partido, do seu, claro, com posições deveras curiosas e que merecem ter, nem que seja para reflexão, toda a amplitude possível, mesmo atendendo ao facto de Carlos Rodrigues não ser figura consensual em termos de simpatia pública, mas às vezes, muitas vezes, agita estas "águas mornas" que dá jeito aos partidos.

O deputado social democrata escreve que "as campanhas eleitorais são, sempre, muito reveladoras...Revelam os que exercem a verdadeira militância e a solidariedade incondicionais. Os que porfiam e trabalham em qualquer circunstância, sem olhar a futuros benefícios e proveitos pessoais, apesar das muitas injustiças de que foram alvo. Os que se orgulham da pertença a um partido e que estão sempre prontos para as refregas e desafios eleitorais. Os que conhecem a população, os espaços mais recônditos das suas localidades, as esquinas mais remotas das suas freguesias, as pessoas mais esquecidas e isoladas das suas povoações".

Mas também "alinhava": "Revelam, também, os outros. Os especialistas das campanhas, os que sabem escolher os momentos certos para aparecer (normalmente aqueles em que as figuras de proa e os candidatos estão presentes), os que não esquecem as fotografias para o Facebook e o Instagram é nelas surgem sempre em primeiro plano, os que publicam grandes mensagens de apoio com textos emotivos e desbragados, os apoiantes de ocasião que procuram privilégios pessoais e se fazem passar por indefectíveis de última apanha. São mestres em só fazer o fácil, o que não lhes custa, dominam a arte de estar no sítio certo à hora certa. Os mesmos que quando tarefas mais difíceis lhes são apresentadas têm sempre algo a fazer, estão sempre muito ocupados com as suas coisinhas, rejeitam, muito educadamente, claro está, qualquer responsabilidade incómoda ou sacrifício necessário. Dificilmente estão disponíveis para actividades ingratas. Estes ases do oportunismo encontram-se nos antípodas dos verdadeiros militantes, dos primeiros que mencionei, os que pouco procuram para si.

Por isso, embora reconheça a importância das campanhas eleitorais (não necessariamente neste modelo), este é um período pelo qual não nutro qualquer simpatia. Faço campanha mas escolho fazê-la com as pessoas de quem mais gosto, com quem me sinto melhor e da forma menos mediática possível, abomino a “obrigatoriedade” da fotografia diária e considero pouco as personalidades frívolas que só surgem nos tais eventos especiais a fim de garantirem a sua visibilidade e mostrarem serviço o que não se coaduna com aquele que realmente prestam nas restantes semanas de um ano ou mandato.

Até dia 26, esses, povoarão as redes sociais com as “provas” da sua irresoluta dedicação, a partir daí, teremos que fazer um esforço para encontrá-los e contar com os seus préstimos. A sua energia é toda gasta nos saltinhos para a ribalta, na busca incessante de notoriedade e no esforço prata não caírem no esquecimento. Muito pouco, muito pouco mesmo".

Fica esta realidade, por dentro, para reflexão.

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