Carlos Rodrigues "fora da caixa": há sinais de desgaste no PSD-M
- Henrique Correia

- 18 de abr.
- 3 min de leitura
Militante e antigo deputado foi ao Congresso "destoar" do "desfile" de elogiosos, diz que o Partido, se insistir no erro, vai perder eleições um dia.

"Enquanto partido, estamos a deixar que grupelhos familiares e bandos de arruaceiros estejam a assumir o protagonismo na luta pelos direitos da Madeira e dos madeirenses".
O militante social democrata Carlos Rodrigues, hoje vice presidente da Câmara do Funchal e antigo deputado, tem sido uma voz crítica relativamente a uma certa passividade da máquina partidária face às posições enérgicas que são tomadas por reação e raramente por ação. E o discurso do ex-deputado, perante visões políticas vigentes nos partidos onde o seguidismo cego tolda o pensamento, tem sido visto como um posicionamento a "excomungar" na próxima oportunidade.
Pois bem, Carlos Rodrigues repetiu tudo o que tem dito, e mais, olhos nos olhos perante os congressistas, certamente muitos contorceram-se nas cadeiras e o presidente, como sempre, encaixou e...sobreviveu.
Vamos às palavras de Carlos Rodrigues, salvaguardando a sua condição de militante e, nessa qualidade, o respeito pelo líder. Respeito que por vezes é confundido com um confortável sim permanente a tudo o que o líder diz, coisa que o militante Carlos Rodrigues não fez. Nem fora, nem agora dentro do Congresso: "Ser leal é isto, dizer olhos nos olhos o que pensamos, criticar quando necessário e elogiar sempre que justifique. Ser leal não é com tudo concordar, aceitar resignado ou encolher os ombros. Isso é ser hipócrita, amorfo e cínico".
Invoca frontalidade em nome da "unidade e não do unanimismo.
Temos de mudar. Temos de mudar porque não estamos bem. Não estamos bem enquanto partido e não estamos bem como Região.
Não basta termos ganho as últimas eleições regionais quando esse capital se pode esfumar dia após dia, a qualquer instante".
Carlos Rodrigues diz não pretender ser "arauto da desgraça", mas acrescenta: "Não me posso calar perante os evidentes sinais de desgaste. Os congressos são momentos de reflexão e debate, não podem ser, apenas, meras cerimónias de entronização ou longos desfiles de panegíricos, estéreis e insonsos. A Autonomia faz agora 50 anos. 50 anos de luta, de evolução e de crescimento, não tenhamos dúvidas. Nós, PSD, digam o que disserem, temos sido o motor desse passado duro, mas glorioso, difícil, mas gratificante, espinhoso, mas com resultados palpáveis. Não podemos cair na armadilha de olharmos para esses 50 anos como um fim e não como uma etapa.
Se esta atitude passiva tomar conta de nós, arriscamos por em causa todas as conquistas alcançadas até agora.
Não podemos esmorecer, não podemos tornar-nos preguiçosos, não podemos ficar estagnados, nem parados no tempo e, pior do que tudo, jamais poderemos recuar.
Enquanto partido, estamos a deixar que grupelhos familiares e bandos de arruaceiros estejam a assumir o protagonismo na luta pelos direitos da Madeira e dos madeirenses.
Temos de continuar a ser a vanguarda, não entregando a nossa principal bandeira e desistir do ideal que nos tem catapultado para a frente da batalha.
Se formos por aí, caminharemos, inexoravelmente, para a irrelevância e para a extinção".
O ex-deputado disse mais: "Quando cedemos a interesses particulares, quando cedemos a direções partidárias nacionais, quando nos mandam calar e aceitamos, quando não reagimos, quando nos deixamos estar, quando contemporizamos com ditames externos, quando encolhemos os ombros perante afrontas inaceitáveis, estamos a definhar, estamos a escolher a via da rendição".
E dirigindo-se a Albuquerque:
"Não bastam as palavras. As ações contam, por isso não aceito quer nos sentemos com chantagistas ou sejamos obrigados ficar calados na Assembleia República.
Recuso participar de uma estratégia que passa por ter medo de companhias aéreas e das suas chantagens parasitárias, ter medo de líderes nacionais que não nos respeitam, de governos da república que nos ignoram, de instituições europeias que nos obrigam a manter-nos como paraísos e reservas da biodiversidade e não nos pagam para isso...Este não é o caminho e se continuarmos a insistir no erro vamos perder eleições, vamos entregar os destinos desta Região a outros e não vamos cumprir a missão que nos dá sentido e identidade, a defesa da Madeira"



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