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  • Henrique Correia

CDS tenta "encostar o PSD à parede" para garantir já 2023



Miguel Albuquerque não tem dossier fechado, nem tem aberto. Quem conhece, sabe que é verdade o que disse quanto a facadas nas costas, quando tiver que dar dá pela frente e não olha a nada do que está para trás.



A estratégia de Rui Barreto estava clara, ficou ainda mais clara com a intervenção neste promeiro dia de Congresso do CDS Madeira, reunião que renova a liderança, mas que vai muito mais longe do que isso, é um momento chave para "encostar o PSD à parede" e garantir, já, um acordo de princípio para uma coligação em 2023. Nada de acordos depois de ver os resultados, mas assegurar que, independentemente do valor do CDS, em votos, o Governo está práticamente garantido, num quadro em que também não seria possível avaliar, na exata medida, o valor do PSD em votos.

Com a estratégia de fazer vincular o congresso a uma coligação pré-eleitoral, Rui Barreto assume um posicionamento de afirmação, junto do PSD, relativamente a uma negociação que agora leva mandato partidário, uma forma de pressão e de compromisso perante os militantes em relação ao governo que sairá das eleições de 2023.

Claro que os discursos são mobilizadores, outra coisa não seria de esperar. Rui Barreto aparece com tudo e vai dar tudo para manter esta presença governativa que lhe caiu nos braços um pouco "sem saber ler nem escrever", como refere a expressão popular. Tomou-lhe o gosto, distribuiu alguns cargos, cujos titulares também gostam muito, designadamente José Manuel Rodrigues, que foi quem ganhou mais em termos de negociações, lidera o principal órgão da Autonomia, tem agenda própria e autonomia financeira. E é o que se vê, parece às vezes um "governo sombra".

Acontece que este enquadramento agrada, e de que maneira, ao CDS. Agradará menos ao PSD, que no entanto estará um pouco comprometido com a "lealdade" com que o CDS tem tratado a relação, não deixando pontas soltas para a ocorrência de qualquer motivo para romper o acordo.

Alguns setores do PSD estão convencidos que ganham a maioria absoluta em 2023. E por isso, consideram melhor admitir a coligação pós eleitoral, se for necessária. É esta a estratégia que melhor serve a um partido que neste momento estaria em melhores condições de conquistar uma maioria absoluta e que tem ego lá em cima face ao que se vislumbra de uma Festa na Herdade do Chão da Lagoa. Se fosse pela festa, o PSD não precisa de "bengala" para 2023. Mas não é bem assim, como se sabe.

Miguel Albuquerque não tem dossier fechado, nem tem aberto. Quem conhece, sabe que é verdade o que disse quanto a facadas nas costas, quando tiver que dar dá pela frente e não olha a nada do que está para trás. Por isso, é muito dificil tirar ilações, precisas, sobre o que vai na cabeça de Albuquerque sobre a coligação com o CDS, sobretudo a pré-eleitoral. E nem a presença este domingo, no congresso do CDS, que naturalmente tem um significado de reconhecimento ao seu parceiro, pode ter um significado de certeza quanto à coligação pré-eleitoral.

Mas a verdade é que alguma coisa terá que acontecer. Rui Barreto tem pressa para fechar algo concreto. E Albuquerque vai ter que dizer qualquer coisa para não criar dúvidas que possam, de algum modo, indiciar que pretende deixar "cair" o parceiro depois de ter precisado dele.

Só que na política, bem sabemos, não há reconhecimentos destes.

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