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  • Henrique Correia

Ceia de Natal ao pequeno almoço à moda de Portugal

Atualizado: 19 de Dez de 2020


O subdiretor geral da Saúde, Rui Portugal, apresentou dez medidas de prevenção para o Natal em família. A parte em que decidiu inventar deve ter sido da sua autoria


A estrutura da DGS tem um subdiretor, um senhor Rui Portugal, nome "patriótico", que foi escolhido para transmitir as recomendações de Natal, as reuniões de família, que devem ser contidas, sobretudo na noite de Natal, como já se sabe sem querer saber.

Ora bem, o senhor falou, falou muito, não disse "grande coisa" mas disse "coisa grande", penso que com conteúdo inédito, tal a eloquência com que elaborou a sua intervenção com os dez conselhos para quem quiser seguir. Além de dizer que neste país, em tempo de exceção, não é obrigatório comemorar a Ceia de Natal à noite, ao jantar, à Ceia mesmo, podendo ser comemorada com um almoço a 24 de dezembro, também revelou ter alguém na família, que faz anos por estes dias, e que comemora o aniversário ao pequeno almoço.

Interessante ponto de vista, nunca tinha pensado nisso, deve ser a uma hora em que o vírus ainda não "acordou", e assim podemos estar descansados à mesa cantando os parabéns com velas encaixadas nas cápsulas de café. Fazer diferente, comemorar na diferença, como aconselha o senhor Portugal aos portugueses. É uma ideia. Impraticável, impensável, estapafúrdia, mas uma ideia como outra qualquer ideia impraticável, impensável e estapafúrdia.

Claro que todos percebemos a gravidade da situação. E já todos entenderam que a Noite de Natal, este ano, será diferente, necessariamente com menos gente, cumprindo as regras, com cuidados na cozinha, um local de convívio e, como tal, de risco. Todos perceberam. Não é isso que vai acontecer, mas as pessoas estão informadas. Não sei se perceberam direito, mas informadas estão. Tirando os beijos e abraços, onde talvez a contenção seja maior, o resto vai acontecer. Cozinha onde ninguém se mexe, menos gente mas onde cabe sempre mais um, tempo todo sem máscara. É isso que vai acontecer, o resto é uma questão de sorte. Os casos vão aumentar, isso de certeza, mas o senhor Portugal até podia dizer para adiar a Ceia para o Carnaval que pouco ou nada ia mudar.

Além disso, há o bom senso e a razoabilidade de quem tem a responsabilidade de transmitir as mensagens. Às vezes, se for para asneirar, publicar chega. Falar só complica, dá matéria para os humoristas e ridiculariza uma situação séria, grave, que deve ser encarada de forma séria e grave. Mas também realista.

Este Natal é diferente. É importante termos uma atitude responsável, de contenção. Com menos pessoas juntas, com cuidados acrescidos porque todos temos famílias e queremos outros Natais. Mas a Ceia é a Ceia, a Missa do Galo é à meia noite, quando o padre não tem duas paróquias e numa delas é às oito, a Missa do Parto é pela manhã, o almoço de Natal é ao almoço. Não vamos inventar com ideias que vêm à cabeça, iguais às que temos nas conversas de café.

Sai uma canja, uma carne de vinha d'alhos, um pedaço de bolo de mel, cortado à mão como manda a tradição, e um tinto bom para acompanhar.

Uma boa Ceia ao pequeno almoço à moda de Portugal...não o País, claro, mas o subdiretor geral de Saúde. O seu a seu dono...pode ser que crie raízes.


Já agora, fique a conhecer as 10 recomendações da DGS, que obviamente não contam aquela da Ceia:


  1. Cumprir todas as regras em vigor no seu concelho, em relação à mobilidade e aos ajuntamentos de pessoas;

  2.  Quem estiver doente, com sintomas ou em isolamento profilático, tem de cumprir o que as autoridades de saúde determinaram;

  3. Reduzir os contactos antes e durante esta quadra;

  4. Reduzir o tempo de exposição em todos os momentos e, se possível, usar os espaços exteriores;

  5. Não mudar de agregados familiares durante a quadra festiva;

  6. Limitar as celebrações do agregado familiar com quem habita, mantendo contacto com outros membros ou grupos por via digital ou telefonemas;

  7. Manter o distanciamento físico em todos os momentos: transporte, preparação das refeições, convívios, etc. Evitar os cumprimentos tradicionais;

  8. Garantir o arejamento dos espaços e a desinfeção das superfícies, bem como dos objetos de partilha comum;

  9.  Lavar ou desinfetar as mãos frequentemente, usar a máscara de forma adequada e manter etiqueta respiratória;

  10. Evitar a partilha de objetos.

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