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  • Henrique Correia

Chega "encostou" CDS à parede. E agora?


Centristas com liderança nacional muito fraca e com "notaveis" na bancada correm sérios riscos de perder o pouco que têm




Francisco Rodrigues dos Santos não tinha condições de liderança nacional do CDS. Não tinha, como não teve, continuou a não ter. Não tem, pura e simplesmente. Não é por falta de legitimidade, não tem nada a ver com a capacidade que possa ter, em termos profissionais, é mesmo por falta jeito, sobretudo num partido que tem um currículo de líderes com algum carisma. Não surpreende a constante perda de votos, hoje conta cada vez menos na política portuguesa. Era mais do que previsível.

E não foi que, de repente, o CDS acordou para a vida, agora aparecem os notáveis quando o partido está em cacos, sendo a demissão do 1º vice, Filipe Lobo d' Ávila, um prenúncio de que algo vai acontecer muito brevemente, não sendo de excluir eleições antecipadas.

O CDS teve líderes de relevo, desempenhou um papel importante no quadro democrático português, mas nos últimos anos tem sido só a perder, descapitalizando o seu eleitorado e deixando para outros o protagonismo da estratégia política, com exceção do que se passou na Madeira, num quadro excecional em que uma descida significou subida, onde uma fraca votação acabou por trazer benefícios de um enquadramento nunca visto na Região, em que o PSD foi obrigado a negociar a maioria no Parlamento, optando por uma coligação e não por acordos parlamentares, pontuais. Foi um "negócio" melhor para o CDS, nunca sonharia estar no governo, muito menos a perder votos. E foi assim que ganhou um presidente da Assembleia, dois secretários e alguns "boys", daqueles que os governos oferecem para equilibrar apoios e tendências. Para não haver "ondas" internas. E foi bem feito, não há ondas, foi tudo colocado.

Acontece que o CDS, mesmo no Governo Regional, está "preso" por arames. E agora, está ameaçado pelo CHEGA, que já ajudou o PSD a governar tipo "geringonça" nos Açores, e a avaliar pelo "carinho" que tem junto de Miguel Albuquerque, pode vir a acontecer, um dia, na Madeira. Se bem que estou convencido que a pandemia foi favorável a Albuquerque, que se fosse hoje para eleições antecipadas, talvez ganhasse com maioria absoluta, atendendo ao facto do PS ter perdido aquele fôlego desde as últimas eleições, desde o cenário de então, do "agora ou nunca". Pode ter sido nunca. E nesse caso, de antecipadas, o CDS "ia à vida".

Claro que são meras conjeturas, as opiniões valem o que valem, mas o CDS está em crise no País. E a questão é esta: ou resolve rapidamente ou afunda o pouco que resta.

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