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  • Henrique Correia

Chegou o grande desafio para a comunidade educativa: o início do ano letivo em pandemia

Este será um momento de grande exigência para escolas, alunos, docentes, pessoal não docente, pais e encarregados de educação. Sem dúvida um grande desafio

Vamos entrar na semana de mais um ano letivo. Diferente, como diferente é a vida em pandemia. É a segunda fase de maior risco depois da retoma lenta do turismo e do maior movimento nos aeroportos. Milhares de alunos, docentes, não docentes, pais, encarregados de educação, passam pelos momentos atribulados normais de início de qualquer ano escolar, mas agora acrescem as preocupações, que não são poucas, de estarmos em pandemia e sem saber muito bem como atuar nesse contexto, que não sejam as precauções já recomendadas de uso da máscara, distanciamento e higienização. Um desafio, sem dúvida, para todos. Estará o sistema à altura? Já vamos ver.

Falar de máscara, vá que não vá. Falar de higienização, já é mais difícil. Falar de distanciamento, então, é quase utopia em contexto de estabelecimento de ensino e de ano letivo pleno. Mas a escola deve começar e, por isso, não há nada a fazer, o País não pode parar, a Região não pode parar e é importante a vida continuar mesmo sabendo que os riscos aumentam e que a eventualidade de haver mais casos é maior neste enquadramento de mais circulação de jovens, com a envolvência que isso tem na rua, mas depois em casa e no contexto familiar. os cuidados, ou a falta deles, podem ter reflexos no resto.

O Governo Regional tem desenvolvido um processo de testes a todos os docentes e funcionários dos estabelecimentos da Região, com uma calendarização que decorreu desde o dia 2 de setembro. Os alunos, todos os matriculados nas escolas da Região, receberão duas máscaras reutilizáveis, para uso de acordo com as recomendações das autoridades de Saúde, bem como dos planos de funcionamento e de contingência dos estabelecimentos de ensino que frequentem; estas máscaras, com desenho e construção adequados, respeitarão as normas estabelecidas pelas entidades de Saúde, sendo que "todas estas medidas têm um caráter adicional às demais constantes dos planos de funcionamento e de contingência das Escolas da Região, e são um contributo para a tranquilidade no arranque e funcionamento do ano letivo 2020/21, no qual, mais que nunca, se impõem, por parte das Comunidades Educativas, das Famílias e dos Alunos, comportamentos de respeito escrupuloso pelas normas e recomendações adotadas, meio mais apropriado para se garantir um combate eficaz à COVID-19".

O Sindicato dos Professores da Madeira apontou diversas situações que, em seu entender, deveriam ser tidas em conta no respetivo funcionamento do ano escolar, designadamente a proteção a docentes de risco, no sentido de não estarem na sala de aula, e a salvaguarda dos recursos humanos tendentes a responder a uma exigência maior em função dos condicionalismos impostos pelas medias de prevenção em meio escolar, além da questão financeira, que a estrutura sindical defende seja compensada com o respetivo apoio por parte do Governo, relativamente aos orçamentos das estabelecimentos de ensino.

O ano escolar vai, assim, começar. Torna-se inevitável o início normal das nossas vidas, também dos nossos alunos, independentemente do grau de ensino, ainda que relativamente aos mais novos, com menos de seis anos, o facto de não haver a obrigatoriedade de uso de máscara, poderá constituir motivo de maior preocupação, sobretudo se soubermos, como acontece, que os educadores não foram testados, agora, já o foram antes.

Mas em síntese, lá voltamos nós ao mesmo. Tudo depende da responsabilidade de cada um, situação que é de difícil perceção no dia a dia e com todos adultos, quando mais em ambiente escolar, onde a tentação do incumprimento é tão grande quanto a inconsciência irreverente da juventude. Uma mistura que pode ter influência.

Mesmo correndo o risco de chatear os meninos, vamos lá insistir: use máscara, higienize as mãos e mantenha a distância. Mesmo que a máxima "um por todos" seja, hoje, uma miragem em muitas avaliações da vida.

Mas não custa tentar...

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