Buscar
  • Henrique Correia

Cheguem-se para lá...


Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública revela que "apenas 25% das pessoas mantiveram a distância recomendada de dois metros entre as pessoas"


Esqueçam. Poucos, muito poucos, cumprem o distanciamento recomendado. Nem sei se as pessoas sabem o que isso é, estou convencido até, numa simples avaliação de comportamentos, que na eventualidade de um estudo, iriamos ter um resultado, que nunca seria surpreendente, que muitos, talvez a maioria, nunca tinham ouvido falar no assunto ou não percebiam a pergunta.

Pode parecer duro, mas conta-se pelos dedos da mão as pessoas que respeitam as distância. A máscara, vá que não vá, é uma localização mais precisa, fica na cara, todos usam no interior e, na generalidade, já no exterior. E sendo assim, mais acima, mais abaixo, mais nariz de fora, mais queixo de fora, anda lá perto. Às vezes nos bolsos ou na mão. O problema, aí, será ver quantos dias tem a mesma máscara em uso. É melhor não saber, aqui sim ficaríamos surpreendidos com algumas respostas.

Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública revela que "apenas 25% das pessoas mantiveram a distância recomendada de dois metros entre as pessoas". Normal. Vamos pelo copo meio cheio: há 25% responsável, o que é bom. Uma média boa, esperava menos, ainda não fui a um supermercado, a um serviço público, até mesmo a muito café, onde houvesse cumprimento da distância. No supermercado, então, é um fartote de gente em cima de gente, encostada no ombro do cliente da frente à espera que este coloque o último produto para já avançar as suas compras no tapete. Nem dá tempo à funcionária higienizar o tapete entre um cliente e outro, como deveria ser. E nas prateleiras? É outro sofrimento. Se for um daqueles 25%, anda a fugir pelos corredores. E mesmo na zona da ração para animais, que não é movimentada, se alguém vê que vai para lá, parece que vêm quatro ou cinco logo a seguir, só para ver, nem têm animais em casa. Também não tenho, e para fugir ao ajuntamento, vou a esse corredor algumas vezes. Mas depois vou para pagar e é aquele tormento.

Tirando a parte humorística da questão, temos a parte séria que nos preocupa. As pessoas não têm noção da necessidade de manterem a distância, mesmo tendo em conta, é preciso dizê-lo, que em diversas situações isso não é possível na exata medida do recomendado. São as tais medidas por grosso. Do género, mantenha a distância quando espera pelo autocarro e vá tudo ao molho no autocarro. Ou separados no aeroporto, mas todos juntos nos aviões e mais juntos, ainda, naqueles autocarros que fazem o transporte até à aerogare. Um descalabro que nos faz ter dúvidas sobre a eficácia e exequibilidade de algumas medidas.

Mas se é mesmo necessário manter a distância, se somos obrigados, não temos outro remédio, a acreditar nas recomendações médicas, então não se façam de espertos e mantenham a distância.

Cheguem-se para lá...

12 visualizações