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  • Henrique Correia

Coligação já foi revelada nos jornais mas falta ouvir comissão política e estruturas

Um dia depois de "anunciar" a coligação PSD/CDS no Funchal, através do JM, Albuquerque não confirma nem desmente a notícia. Falta ouvir a comissão política e as estruturas locais. Estranho, mas...



"Não confirmamos nada, o mais certo é haver coligação PSD/CDS no Funchal. Não há consensos em partidos como o nosso, onde há consensos é no PCP. Mas a minha responsabilidade e da Comissão Política é auscultar as estruturas locais e tomar decisões. Nada está decidido, é possível que existam coligações noutros concelhos, vamos ouvir as estruturas locais".

Assim, sim. Não há mal em reconhecer um "deslize" de deselegância para com os órgãos internos. Estas declarações de Miguel Albuquerque foram feitas um dia depois do JM ter divulgado, remetendo para decisão de Albuquerque, que haverá coligação entre PSD E CDS em lista única no Funchal. Quem viu essa notícia, que obviamente teve o aval do líder, direta ou indiretamente, ficou surpreendido com estas palavras de hoje. Ontem, na realidade, a notícia do matutino, claramente com origem na liderança social democrata, não deixava dúvidas sobre uma decisão já tomada e temos a certeza que essa garantia não foi invenção do jornalista. A dúvida era mesmo sobre o papel da comissão política e das estruturas locais do PSD-M (também as do CDS), que souberam pelos jornais uma notícia tão importante na vida do partido ( dos partidos), relativamente ao principal município.

E alguns dirigentes do partido, certamente, interrogaram-se sobre o seu papel, conscientes que antigamente era assim, com as conclusões feitas antecipadamente, mas também conscientes que ia ser diferente face à mudança de metodologia de uma renovada atitude, que queriam teórica e também prática. Por isso, esta atitude de Albuquerque, na notícia, caiu mal em larga escala.

Só que hoje, talvez por isso, o líder achou melhor "emendar a mão" e lembrou-se que tem uma comissão política, com quem vai debater estratégias e nomes. Lembrou-se que tem, também, estruturas locais, o que nas Autárquicas é factor importante. Lembrou-se a tempo, ainda bem para a unidade, e por isso provavelmente mudou o discurso. Nada está decidido, todos serão ouvidos, depois haverá decisão. Mesmo que ela, decisão, possa estar mesmo tomada.

Não haver consensos é normal em democracia, em partidos democráticos. O que não é normal, em democracia, é esta forma de usar os jornais para "testar" consensos.

E a credibilidade fica onde?

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