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  • Henrique Correia

Coligação regional com o desafio de gerir o "chip" autárquico


Onde fica a identidade dos partidos, como fica o discurso de concelho para concelho e até onde vai a mobilização dos meios?




Dizia-me há dias um dirigente partidário, de um dos partidos da coligação governamental, que as eleições autárquicas não iriam ser nada fáceis do ponto de vista das habituais mobilizações de campanha, em função daquilo a que podemos chamar de mudança de "chip" e da confusão que isso representa, para o CDS que acusa o PSD em Câmara de Lobos mas já não o pode fazer na Ponta do Sol ou no Funchal, nas tambem para o PSD, por exemplo em Santana, onde para preservar a unidade regional da coligação, vai apontar erros locais sem beliscar muito os secretários que integram o Governo, o que é andar no "fio da navalha", sobretudo se tivermos em conta que alguns dos problemas locais têm origem em políticas regionais.

A coligação regional, não sendo alargada, na totalidade, ao acordo local, provoca um maior risco para a identidade dos partidos, sendo que em termos regionais, como temos visto, o CDS tem sido o partido que maiores perdas de identidade tem sofrido, uma vez que a liderança do PSD tem assumido uma posição mais institucional enquanto preservação do interesse conjuntural da coligação, não passando o risco do elogio exagerado ou o agradecimento quase permanente pelo facto da conjuntura ter sido favorável a esta subida ao poder, o que nem sempre tem acontecido com o CDS, que se defende pouco relativamente ao seu futuro constrói o seu percurso muito à base do hoje e muito pouco a pensar no futuro, quando estiver sozinho por exemplo.

Nestas eleições autárquicas, o dilema será maior, o discurso deverá ser melhor e a estratégia muito cuidada para mudar o "chip" quando passar de concelho, mas sem mudar a face que possa comprometer a matriz identitária dos partidos, mas sobretudo o CDS, que tem mais a perder se não conseguir marcar terreno de identidade e cair na tentação de se colar demasiado ao PSD. A unidade da coligação passa pela defesa comum de políticas, mas também pela defesa de ideias próprias que possam ser mais valia de medidas e não sómente de lugares. Um desafio nem sempre fácil, muito mais em autárquicas.

Não é que este seja um elemento diferente de outras coligações envolvendo outras cores políticas, mas a verdade é que, neste caso, ficam mais expostas as fragilidades de posicionamento e a articulação do discurso, além de sabermos que tanto no PSD como no CDS há militantes que irão estar sentados, de bancada, à espera de ver o resultado desta estratégia, mesmo sabendo-se da mobilização que existe, de meios até extra partidários, para que as cadudaturas não percam um milímetro do que podem aproveitar neste caminho onde entram os partidos mas também entram as instituições, regionais e locais. Sem hipocrisias, é a realidade e por vezes a imoralidade, mesmo sem ser, necessariamente, a ilegalidade. Tudo se contorna.

Quem sabe, sabe que sabem que sabe. Não é original, mas é sempre muito atual.





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