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  • Henrique Correia

Comissão para abusos na Igreja esbarra nos silêncios da Madeira


As dúvidas são colocadas pelo padre José Luís Ridrigues, pároco de São Roque: "Pena que as reminiscências do passado, do tudo trancado, silenciado e amedrontado voltem em força".



Foto Facebook.


O padre José Luís Rodrigues, pároco de São Roque e conhecido pelas suas posições frontais relativamente aos problemas da sociedade, da Igreja também, veio a público levantar algumas dúvidas sobre o trabalho da comissão para os estudos sobre abusos sexuais na Igreja Católica, que já encontrou várias situações no espaço nacional. Menos na Madeira e nos Açores, onde o silêncio impera.

Já por diversas ocasiões, relativamente a outros assuntos, entre eles a inexistência de posições públicas de autoridades policiais, em momentos de justificação perante os cidadãos que pagam impostos e merecem ser esclarecidos sobre as suas preocupações, designadamente de segurança, tivemos oportunidade de abordar a existência de um silêncio "ensurdecedor, que já vem de tempos passados onde era "proibido" falar dos problemas porque falando dos problemas os males seriam maiores. Uma teoria de cabeça enterrada na areia empurrando os problemas com a barriga.

Pois bem, na sua página do Facebook, o padre José Luís toca num assunto sensível e escreve que "anda nas bocas do mundo que nos Açores e na Madeira, a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa (CI), ainda não conseguiu nada, um bem redondo zero. Isto é, ainda não houve nenhuma porta que se tenha aberto para colaborar e ajudar nas investigações ou denúncias".

O sacerdote prossegue:

"Dizem ser as regiões do país onde deliberadamente fizeram imperar um silêncio absoluto e que as portas estão trancadas a sete chaves concertadamente.

Uma tristeza que assim seja. Afinal, entre nós a tão propalada e rezada abertura ao mundo, à sociedade e os desejos exaltados de transparência nesta matéria não passam de falácias para entreter as hostes que, soberbamente, se continua a pensar estarem adormecidas como nos tempos da «velha senhora".

O padre José Luís Rodrigues refere que

"a desconfiança instalou-se que alguns começam a dizer à boca cheia que o sistema está de tal modo montado com subornos, ameaças e todo o género de possibilidades para fazer valer o medo que não permite espaço às vítimas ganharem coragem e dizerem de sua justiça. Ainda assim não quero crer que isto seja verdade".

Diz ser "pena que as reminiscências do passado, do tudo trancado, silenciado e amedrontado voltem em força. Sempre a maldita ideia que as ilhas «são o cantinho do céu» e de que o turismo a tudo obriga. Tem sido para esconder a pobreza. A criminalidade. A pedofilia. Os desmazelos e desgovernos. E tudo o que vai rebentando com a nossa terra e o nosso povo.

Se há pessoas amedrontadas, libertem-se dos medos, venham a terreiro, procurem proteção, há muitos meios hoje que garantem proteção, digam o que têm a dizer. Nenhuma injustiça e crime devem ser esquecidos, muito menos devem os seus autores passeiam-se incólumes e quem sabe se não continuam a semear mais misérias e a infligir mais atrocidades contra inocentes. Nada de esconder a podridão esteja onde estiver. Nada de proteger bandidos que não têm sensibilidade humana e se importam zero com o sofrimento dos outros.

Estes dizerem que circulam por aí não me alegra, deixam-me profundamente triste".

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