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  • Henrique Correia

Como é que Albuquerque vai "descalçar" esta "bota"?



Presidente do Governo fez elogio "rasgado" a José Manuel Rodrigues, que se diz disponível e diz que a presidência da Assembleia depende do voto dos madeirenses e portosantenses. O que, diga-se, não é totalmente assim, o voto chega para ser eleito deputado, não para ser presidente da Assembleia.




Foi durante os cumprimentos de Natal que o líder do PSD-M e do Governo Regional Miguel Albuquerque fez "rasgados" elogios ao presidente da Assembleia Regional José Manuel Rodrigues, que como se sabe é do CDS, cargo ocupado em consequência das negociações levadas a efeito em 2019 no contexto do acordo de coligação governativa entre os dois partidos e que permitiu, ao PSD-M, manter a governação regional, além de permitir aos centristas a chegada ao Governo num período de baixa partidária.

Albuquerque diz que José Manuel Rodrigues fez um grande mandato e diz que o povo também reconhece isso. O que não dá tranquilidade ao líder do PSD se ganhar as eleições regionais e tiver que decidir quem apoia para o principal cargo da Autonomia. Não dá tranquilidade na relação com o parceiro de Coligação, que tentará manter a posse dessa liderança, mas também não dá internamente no PSD-M, onde Albuquerque vai enfrentar uma pressão no sentido de fazer com que o cargo de presidente da Assembleia seja ocupado pelo maior partido, neste caso o PSD. Ainda por cima, alteraram-se as circunstâncias das negociações de 2019, onde o PSD-M previsava para governar, ao contrário do que agora dizem as sondagens apontando a maioria absoluta para uma votação social democrata.

É verdade que a afirmação de Albuquerque vale o que vale quanto a qualquer indício relativamente ao que poderá acontecer em 2023, mas a verdade é que seria mais fácil, para Miguel Albuquerque, decidir se Rodrigues estivesse a fazer um mandato discreto, como aqueles que as lideranças do PSD-M fizeram, tão discretos que às vezes até parecia que o Parlamento não existia. E neste particular da visibilidade e da iniciativa, sejamos justos, José Manuel Rodrigues fez mandato de "goleada". A Assembleia, hoje, está visível, está participativa, está interventiva, talvez um pouco excessiva em alguns momentos, mas isso tem a ver com o perfil de quem ocupa o cargo, inteligente do ponto de vista político, estratega, aproveitando a autonomia de gestão do Parlamento e não deixando nada ao acaso para ganhar apoios e fazer "lobby". E com alertas ao Governo, um pouco menos agora desde que Albuquerque e Barreto chegaram a acordo para um "pacto de não agressão" entre partidos. Mas o PSD deixou "correr" muito.

Se Albuquerque quiser "descartar" José Manuel Rodrigues numa próxima eleição, terá que explicar e justificar muito bem e sobretudo encontrar, no PSD, quem faça melhor. Talvez não seja fácil. A justificação está feita na perspetiva dos resultados, o PSD é o maior partido e faz todo o sentido que tenha a presidência da Assembleia, o cargo mais importante. Mas a forma como se exerce o cargo é importante, já não pode ser hoje com aquela formalidade faz de conta. E o problema foi criado em 2019, agora é mais difícil resolver. Por culpa de José Manuel Rodrigues.

Claro que o detentor do cargo quer continuar, está a trabalhar para isso. Diz que está disponível e que a presidência da Assembleia depende do voto dos madeirenses e portosantenses. O que, diga-se, não é totalmente assim, o voto chega para ser eleito deputado, não para ser presidente da Assembleia, um cargo que se ocupa em resultado da proposta dos partidos e eleição por parte dos deputados. Primeiro, deve ir em lugar aparentemente elegível, o que depende das negociações e das "clientelas". E a próxima lista já deverá incluir os presidentes de Câmara que vão sair nas próximas autárquicas e que nessa altura poderão ter lugar garantido no Parlamento.

Como se vê, o próximo ano será de muito "golpe de rins" na política madeirense.





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