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  • Henrique Correia

Como vai (sobre) viver a restauração?

É desolador dar uma volta pela cidade e ver muitos espaços encerrados, que é grave, mas também aqueles que estão de porta aberta mas sem clientes


A pandemia deu cabo de todas as formas como as sociedades estavam estruturadas, afetou praticamente todos os setores, todas as pessoas, obviamente umas mais do que outras, dependendo da atividade e do nível de consequências de uma paragem forçada, mas a verdade é que todos sentiram, ainda sentem, o desespero daquele que está a ser o ano zero das nossas vidas, para não dizer menos, muito menos. Não ficámos parados, andámos para trás.

Já abordámos os reflexos, estrondosos, para o Turismo, para uma Região que assentou o seu modelo económico na atividade turística e que, de repente, começa a "fugir o chão", com empresas em insolvência, trabalhadores, aos milhares, no desemprego, e uma queba substancial, porque não há milagres, no poder de compra das famílias. Uma "catástrofe" do ponto de vista da economia e da gestão financeira dos agregados familiares, cujos efeitos totais vamos saber lá mais para a frente, quando acabarem os subsídios, quando chegar o fim do desemprego, quandom as soluções forem escassas no regresso ao mercado de trabalho. E os efeitos que isso terá no futuro, nas novas gerações.

Acho que a restauração está a sofrer como nunca. Restauração e bares. É desolador dar uma volta pela cidade e ver muitos espaços encerrados, que é grave, mas também aqueles que estão de porta aberta mas sem clientes, sem a faturação que permita manter as despesas e com um horizonte temporal de incertezas em função do enquadramento pandémico, ele próprio incerto e devastador para a saúde.

A restauração, grande parte virada, também, para o turismo, está a passar por momentos muito difíceis. Mesmo aqueles espaços que, predominantemente, tinham garantido o cliente local e com isso o rendimento para manter os postos de trabalho e a atividade, estão com a "corda ao pescoço", para usar uma expressão popular. O poder de compra não é o mesmo, o mercado não pode ser o mesmo.

Fala-se de milhões, de linhas de crédito que aparecem, pela publicidade preparatória, e bem paga, nos jornais, como forma de panaceia para todos os problemas. Fala-se de milhões em ajudas, e ainda bem, independentemente do processo burocrático que leva muitos à desistência. Fala-se em moratórias, em ajudas aos hotéis que estarão com menos gente em novembro. Fala-se em esperança, que dá um alento mas não paga as contas. E depois? A linha de crédito está disponível mas será preciso pagar. As moratórias são importantes, mas lá chegará o momento em que voltam os compromissos, provavelmente numa altura em que o estado das famílias será tão grave ou pior do que aquele que é hoje. Os apoios são bons, para o momento, mas é preciso preparar a vida para depois desses apoios. E aí é que está o problema, o grave problema. Será preciso fazer qualquer coisa. Qualquer coisa que não passe por "empurrar com a barriga".

É importante que estejamos preparados para a (sobre) vivência do pós crise. Quem chegar chegar lá de porta aberta...


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