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  • Henrique Correia

"Comunicação social resolve pouco além do instante", critica o Bispo do Funchal


D. Nuno Brás observa os media alertando para Cabo Delgado: "É capaz, durante uma semana, de nos bombardear com um assunto, como se o mundo fosse acabar. Passada essa semana, as atenções dirigem-se para outro qualquer tema".



Foto Jornal da Madeira, órgão da Diocese.


O Bispo do Funchal faz hoje uma reflexão muito pertinente, no Jornal da Madeira, órgão online da Diocese, sobre o mediatismo dos problemas do mundo, em diferentes domínios e latitudes, como se o "instante" fosse resolver a questão de fundo, que prevalece muito para além de ser notícia.

D. Nuno Brás considera que "este nosso mundo da Comunicação Social vive do instante. E pouco é capaz de fazer que vá para além dele. É capaz, durante uma semana, de nos bombardear com um assunto, como se o mundo fosse acabar. Passada essa semana, as atenções dirigem-se para outro qualquer tema que alguém (não sei quem) determina ser mais importante"

O Bispo lembra que "na grande maioria das situações, as pessoas continuam a sofrer, só que já ninguém lhes liga". Aponta o que se passa com Cabo Delgado, aquela província moçambicana que, alguns meses atrás, foi notícia pelas piores razões. Os problemas já existiam bem antes: os ataques dos terroristas, que dizem ser “islâmicos”, há pelo menos 4 anos que se sucediam. Os deslocados e os mortos já eram, infelizmente, o quotidiano".

Lembra ainda D Nuno Brás que "durante muito tempo, como profeta no deserto, o Bispo da Diocese gritou o problema. Só quando um grupo de ocidentais foi atacado o mundo descobriu aquele horror: viu a guerra, escutou os gritos e os apelos daqueles moçambicanos a pedir ajuda. Durante uns dias, foram abertura de noticiários. Depois, um outro qualquer assunto tomou a dianteira. E todos pensámos que estava resolvido… "

Não é verdade, diz o Bispo. "A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre denunciou, há dias, que os deslocados (750 mil) continuam a viver sem um mínimo de condições; que os ataques continuam a suceder-se; que a fome e as dificuldades continuam a ser realidade. Que as crianças são raptadas para as fazerem soldados treinados para matar ou, no caso das meninas, para servirem de escravas. Só que o mundo quase já nem se recorda. E nós corremos o risco de fazer coro com ele".

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