Buscar
  • Henrique Correia

Contactos informais ao mais alto nível tentam aproximar Madeira da República



Miguel Albuquerque sabe disso e não perdeu tempo num aconselhamento interno para moderação de discurso, mas também procurando contactos ainda informais.



A maioria absoluta conquistada pelo Partido Socialista e António Costa nas legislativas nacionais de domingo passado veio alterar substancialmente o figurino político nacional, ao ponto de ter havido, desde logo, uma reação da Região no sentido de salvaguardar aquele que será o ambiente de relacionamento para quatro anos sem a instabilidade que uma maioria relativa dá em termos de aproveitamentos político partidários. No fundo, o chamado contencioso das Autonomias, que algumas vezes é conveniente, deixa de fazer o mesmo sentido neste enquadramento.

Miguel Albuquerque sabe disso e não perdeu tempo num aconselhamento interno para moderação de discurso, mas também procurando contactos, é certo que ainda informais, visando estabelecer um quadro de relacionamento mais cordato. Mas para isso, não pode haver "fugas" de ataques a Lisboa mas sim a criação de pontes. Enterrar o "machado de guerra" primeiro e só desenterrar se houver manifesta falta de vontade de António Costa na solução dos assuntos pendentes, como o Hospital, regulamentação do subsídio de mobilidade, Revisão das Finanças Regionais, o CINM, entre outros.

É muito provável, por isso, que possamos assistir a uma nova fase desse relacionamento, que depois destes contactos informais e assim que estiver formado o Governo da República, passará a um período de contactos institucionais. Até porque António Costa disse, no discurso de vitória, que uma maioria absoluta não é poder absoluto e vai procurar consensos respeitando as competências das Autonomias Regionais.

É num enquadramento de pacificação que, por exemplo, o deputado Carlos Rodrigues, cuja matriz tem sido de fortes críticas à República e ao PS, desabafa no Facebook: "Pelo que tenho lido e ouvido por aí, parece que os tempos são de resignação. Os tempos são de falar baixo, murmurar súplicas, pedir com jeito e de forma submissa que os nossos direitos básicos sejam respeitados. Os tempos são de comiseração, baixar os braços educadamente, colocar o chapéu na mão, colocar a roupa de domingo e prostrar-nos perante o senhor que agora saiu legitimado pelos trabalhadores da plantação. Os tempos são de resistência silenciosa, lúgubre é que não perturbe o semblante solene de quem recebeu o mandato absoluto".

O deputado continua: "Os tempos são de mendicidade obediente e respeito medroso porque o Adamastor ergue-se imponente e todo poderoso. Pelo que leio e ouço não há lugar a reclamações, por mais justas que sejam. Não há lugar a exigências, por mais acertadas que se mostrem. Não há lugar a nada que não esteja em sintonia com este novo estado da arte. Pois bem, aceitemos tudo, concordemos com tudo, agradeçamos tudo, ainda que seja injusto, ainda que seja indigno, ainda que seja pouco, ainda que não respeite os nossos direitos. A bem da cordialidade que o mestre e senhor nos impõe, a bem de uma suposta vontade de uma qualquer maioria".

Pode não ter nada a ver com o novo "estado", mas se não tem até foi oportuno este escrito.

18 visualizações