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  • Henrique Correia

Contenção forte no Natal, mais "emergência" e terceira vaga em janeiro/fevereiro

Marcelo promete não hesitar nas medidas e reconhece que "se é verdade que estamos todos no mesmo barco e todos sofremos, há uns que sofrem na 1ª classe, outros na 2ª, outros na 3ª, outros nos porões"


Marcelo Rebelo de Sousa não quer facilitar na prevenção à Covid-19. Ao anunciar a renovação do "estado de emergência", deixa claro que vamos andar assim por muito mais tempo. Pelo Natal, pelo fim do ano, pelo início de 2021. 

O Presidente da República avança com uma forte possibilidade: uma terceira vaga, lá para janeiro, fevereiro. É provável que nova subida de casos - ou dito mais simplesmente, uma terceira vaga - possa ocorrer entre janeiro e fevereiro. E será tanto maior quanto maior for o número de casis um mês antes. Ou seja, importa tentar conter, fortemente em dezembro, o processo pandémico, mesmo que ele, dias antes, aparentasse ter passado o pico da chamada seginda vaga.

Marcelo diz que "se tudo isto impuser a ponderação, em devido tempo, de segunda renovação do Estado de Emergência, de 9 a 23 de dezembro, ou mesmo mais renovações posteriores, que ninguém se iluda. Não hesitarei um segundo em propô-las. Para que o Governo disponha de base suficiente para aprovar o que tenha de ser aprovado".

O Presidente afirma que p que temos a dar como certo é que "o Estado de Emergência dure o que for necessário ao combate à pandemia, sempre com o controlo e o conteúdo democráticos decorrentes da Constituição.

E que se atue para quebrar a curva ainda ascendente de casos, condição necessária para infletir, a seguir, a curva crescente de internados, de cuidados intensivos e de mortes.

E que se não facilite – não facilitem os decisores políticos, não facilitem os Portugueses –, em dezembro, do princípio ao fim de dezembro, para não ter de se sofrer um agravamento pesado ao virar 2021.

E que se procure continuar a equilibrar esta exigência com o não parar a economia, a sociedade, a cultura, que é um esforço que sabemos difícil para todos os Portugueses".

Marcelo expõe prós e contras: "Claro que é natural que haja Portugueses, e são muitos, e nas fases piores das pandemias, como esta, são muitos mais, que criticam o que entendem ser erros, omissões, avanços, recuos, ziguezagues, em maio e junho sobre a Grande Lisboa, em agosto e setembro sobre a segunda vaga, em outubro, hoje, amanhã, depois, criticando tudo o que vier tarde ou mal explicado, por defeito de porta-voz ou por defeito de decisão.

Claro que é natural que quem tem trabalho perdido, salário cortado, empresa afogada, lute angustiadamente por um socorro urgentíssimo e uma perspetiva de ajuda a pensar no futuro.

Claro que é natural que, mesmo contando hoje com maioria expressiva – 82% a favor no Parlamento e 94% que se não opuseram –, cada renovação de Estado de Emergência motive críticas acrescidas de partidos e de parceiros sociais, em qualquer caso importando recordar que nenhum Deputado, nem nenhum Partido pode dizer que sempre se opôs, desde março, à adoção do Estado de Emergência.

Acima de tudo, acentua Marcelo, "é natural que nove meses de pandemia pareçam uma eternidade para os Portugueses.

E se é verdade que estamos todos no mesmo barco e todos sofremos, há uns que sofrem na 1ª classe, outros na 2ª, outros na 3ª, outros nos porões. Tudo a lembrar que quem mais sofre mais deverá ser apoiado.

Quer isto dizer que vamos renunciar a resistir mais uns meses?

Quer isto dizer que vamos agora baixar os braços, ou porque a pandemia é imprevisível, ou porque vem o pior quando se esperava o menos mau, ou porque aqueles que com ela lidam, nos quais me conto na primeira linha, não correspondem ao que deles se espera e espera-se legitimamente muito?

Não. Não vamos renunciar, nem baixar os braços.

Vamos fazer o que sempre fizemos em quase nove séculos de História. Aguentar pestes, combater guerras, perder e recuperar independências. Não desistindo e tendo de refazer vidas, às vezes, a milhares de quilómetros de distância, partindo e chegando, sem nada, uma mão à frente, outra atrás"


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