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  • Henrique Correia

Convívios familiares são responsáveis por 67% dos casos de Covid-19 em Portugal


"As pessoas pensam que por serem novas nunca têm doença grave, mas isto não é rigorosamente verdade. Têm menos doença grave que os idosos, mas não têm zero doença.”


Os números apontam para casos, em larga escala, no âmbito dis convívios familiares. Assim, à primeira vista, parece mentira face aos convívios, muitos, junto a bares, à noite, sem proteção e sem distanciamento.

Mas indicadores são indicadores e foi mesmo a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, quem disse que as confraternizações familiares “têm sido responsáveis por 67% dos casos [de COVID-19] reportados nos últimos dias em Portugal”.  Numa das últimas conferências de imprensa de atualização dos dados da pandemia da COVID-19, a especialista em saúde pública revelou que “quando as autoridades de saúde fazem o inquérito epidemiológico encontram, de facto, esse tipo de convívio”.  Por isso, a responsável fez “um grande apelo às pessoas, às famílias, que se coibam, nesta fase em que há transmissão crescente do vírus na comunidade, de ter esses encontros festivos, que, obviamente, levam a descontração”.  Essa descontração, acrescenta, “leva a múltiplos contactos e a contactos de proximidade”. Os convívios familiares incluem muitas vezes as refeições, nas quais as máscaras são retiradas, “o que ainda aumenta o risco”.  Graça Freitas apelou às pessoas que “tentem confraternizar menos nesta fase em que o vírus está bastante ativo em Portugal e na Europa”. Nos últimos dias, adiantou, 4% dos casos confirmados investigados referiram ter estado fora de Portugal. “Não quer dizer que tenham contraído lá [a doença], mas estiveram fora do país”, ressalvou. 

O site da DGS refere que "nesta altura, Portugal assiste ainda ao “início das aulas no ensino superior, às praxes que se mantêm em alguns sítios do país, às festas e às receções a alunos”, que por vezes “originam surtos grandes com muitas pessoas”. Estes surtos “geram uma enorme carga de trabalho sobre os serviços para investigar todos os possíveis contactos, levam a um aumento do número de internamentos, a um aumento do número de casos graves”. 

A Diretora-Geral da Saúde sublinhou que “as pessoas pensam que por serem novas nunca têm doença grave, mas isto não é rigorosamente verdade. Têm menos doença grave que os idosos, mas não têm zero doença.” Mesmo que não tenham doença grave, destacou, são transmissoras da doença para outros grupos e para a comunidade. Por isso é tão importante “diminuir o número de contactos”.

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