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  • Henrique Correia

Danos do temporal em São Vicente "valem" 29 milhões; 628 mil para 20 moradias



Dos 29 milhões de euros, cerca de 1,9 milhões de euros (5%), refere-se ao custo das intervenções imediatas. Acresce ainda investimento a realizar, a médio prazo, num conjunto de medidas estruturais para mitigar riscos, no valor de 11,5 milhões de euros



O valor dos danos materiais provocados pelo temporal de 25 de Dezembro de 2020, no concelho de São Vicente, particularmente nas freguesias de Ponta Delgada e Boaventura, com prejuízos na rede viária municipal e regional, em veredas, na rede fluvial, no parque habitacional, na rede de distribuição de água potável, na rede adutora e distribuidora de água de rega, na rede de fornecimento de energia elétrica e em diversos múltiplos equipamentos, ascende a cerca de 29 milhões de euros.

Este foi o valor apurado pela Câmara Municipal de São Vicente, pela Direção Regional de Estradas e pela Direção Regional do Equipamento Social e Conservação, pelo Laboratório Regional de Engenharia Civil e pelas sociedades de capitais públicos: Investimentos Habitacionais da Madeira, S.A., Águas e Resíduos da Madeira, S.A. e Empresa de Eletricidade da Madeira, S.A., nas respetivas áreas de competência.

Acresce ainda investimento a realizar, a médio prazo, num conjunto de medidas estruturais para mitigar riscos, no valor de 11,5 milhões de euros.

Os trabalhos de reconstrução deverão estar, na maioria dos casos, concluídos até final de 2022.

Uma nota da Quinta Vigia, relativa aos dados hoje desenvolvidos pelo presidente do Governo, em São Vicente, sublinha que dos 29 milhões de euros, cerca de 1,9 milhões de euros (5%), refere-se ao custo das intervenções imediatas, já realizadas pelo Governo Regional e pela Câmara Municipal, para repor, nas condições possíveis, os acessos e os serviços essenciais, designadamente a desobstrução da rede viária e de linhas de água, a remoção de entulhos e os transportes a vazadouro, as limpezas gerais de vias públicas, as consolidações precárias de taludes e plataformas de estrada, o fornecimento de água e de energia elétrica, bem como outras pequenas reparações para retoma, mesmo que condicionada, da segurança da população e das atividades sociais e económicas.

O mesmo documento revela, ainda, que "o montante previsto para a reparação e reconstrução da rede viária regional, de 17,5 milhões de euros (61% do total), demonstra o impacto da aluvião ao nível das vias públicas regionais, cujos danos isolaram ou condicionaram os acessos a alguns núcleos urbanos durante o período da realização de trabalhos de desobstrução e limpeza precária.

Destaca-se ainda o valor de 4,5 milhões de euros, previsto para a reabilitação e reconstrução da rede hidráulica fluvial, designadamente de passagens hidráulicas, atravessamento de trechos de estrada, e de canais hidráulicos".

Este balanço aponta que "a despesa prevista para a reabilitação de 20 moradias danificadas pelos fluxos detríticos é da ordem dos 628 mil euros (2% do total), incluindo os encargos dos realojamentos de quatro famílias cujas moradias não deixaram de oferecer condições de habitabilidade por terem sido severamente danificadas.

O valor dos danos da rede de água de rega, tanto ao nível dos canais adutores, como da rede de distribuição, é da ordem de 2 milhões de euros (7% do total). Os trabalhos de reparação e de reconstrução poderão condicionar a normalidade do regadio agrícola durante o período das necessárias reparações".

À Câmara Municipal de São Vicente, explicita o texto, cabe uma parcela de despesa da ordem dos 3,7 milhões de euros (13% do total), para reabilitação e reconstrução do património municipal danificado, nomeadamente de arruamentos e passeios, veredas, muros de suporte, de guarda, de vedação e varandas, bem como rede de distribuição de água potável e de drenagem de água pluvial, reservatórios, diversos equipamentos públicos e o cemitério municipal de Ponta Delgada, entre outros trabalhos aqui não referenciados.

A retoma do fornecimento de energia elétrica implicou uma despesa da ordem dos 500 mil euros (2% do total).

Tendo em conta que a mera reconstrução das infraestruturas afetadas repõe o estado do património afetado, mas não garante que nova situação aluvionar não venha a ocorrer, em caso de precipitação da mesma ordem de grandeza, o Governo Regional pretende ainda realizar, a médio prazo, um conjunto de medidas estruturais para mitigação do risco, no valor de 11,5 milhões de euros, tendo por objetivo a melhoria das condições e da segurança dos escoamentos fluviais nas áreas afetadas pelo evento.

Os referidos 11,5 milhões de euros contemplam o redimensionamento e a construção de novas passagens hidráulicas na rede viária regional, a maioria para substituir as existentes, de forma a minimizar o risco de galgamento e da inundação de estradas, em caso de eventos aluvionares de grandeza similar. Contempla ainda a construção de pequenas bacias de retenção de material sólido para contenção de fluxos detríticos a montante de zonas infraestruturadas e habitadas, bem como a construção de um novo canal hidráulico na freguesia de Ponta Delgada para transvaze de águas fluviais excedentárias da Ribeira de S. Nicolau, em caso de precipitação extrema. Prevê-se ainda a execução de diversos trabalhos de canalização de ribeiras, de regularização de leitos e contenção de margens no afluente da Ribeira dos Moinhos, afetado pela intempérie de 25 de dezembro de 2020.




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