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  • Henrique Correia

Declarações de Tranquada Gomes revelam unidade "conveniente" no PSD-M


Tranquada Gomes veio reforçar o descontentamento e adensar dúvidas no maior partido da Regiao.





As "feridas" no PSD-Madeira não estão resolvidas, longe disso. Como há dias aqui escrevemos, a coligação governamental regional, estendida a algumas Câmaras e recentemente para a Assembleia da República, deixa dúvidas em muitos militantes, mas também numa parte dos atuais dirigentes regionais, que já esboçaram alguma reação relativamente ao que será o futuro de um partido com mais de 40 anos de governação com sucessivas maiorias absolutas e que nas últimas legislativas ficou nas mãos do CDS.

Mas se o resultado das autárquicas, no Funchal, ainda disfarçou alguma discordância, a verdade é que muitos consideraram que Pedro Calado ganharia mesmo sem o CDS, consideração que se acentuou com as eleições nacionais, onde o PSD, agora com o CDS, comseguiu os mesmos deputados, 3, que já tinha alcançado concorrendo sozinho.

Se dúvidas existissem em matéria de divergências internas no PSD Madeira, a entrevista de Tranquada Gomes ao JM, na última semana, tirou-as completamente. O PSD Madeira ainda não fez as "pazes" com o passado recente de divisão e com isso compromete o futuro. E as vitórias resultam de uma unidade conjuntural conveniente em função do que está em jogo num partido com mais de quatro décadas no poder.

Alberto João Jardim tem sido apenas a face visível, designadamente na escolha da lista ao Parlamento nacional, mas também no foco sobre a existência de uma certa "guerra fria" entre jardinismo/renovação, que segundo o presidente honorário teve e tem como "catalisador" Pedro Passos Coelho e seus apoiantes na Região, conhecendo-se as ligações do mesmo com o líder regional e alguns dos seus mais diretos apoiantes. Ao ponto de na última grande intervenção, Jardim ter alertado, sendo igual a si próprio quando pede união e lança "fogo amigo", que é importante acabar com esta divisão entre jardinismo e renovação, porque as regionais de 2023 estão mesmo ali perto.

Tranquada Gomes veio reforçar o descontentamento e adensar dúvidas no maior partido da Regiao, quando lança farpas aos secretários do CDS, que como se sabe são Rui Barreto e Teófilo Cunha, dizendo que esperava mais deles. Defende uma coligação dependente dos resultados de 2023 e não um acordo prévio que não permite saber exatamente quanto vale o CDS, para mais depois do descalabro eleitoral nacional deste "parceiro" do PSD-M, que deixou de ter representação parlamentar.

Tranquada dá voz a este descontentamento interno, pode falar, não tem nada a perder. Já perdeu quando o partido cedeu ao CDS e José Manuel Rodrigues exigiu a liderança da Assembleia Regional, precisamente que vinha sendo ocupada por Tranquada Gomes. As declarações, na entrevista, apontam mais a José Manuel Rodrigues do que propriamente ao CDS. O que Tranquada não fala, e isso acaba por ser um ponto a favor de José Manuel Rodrigues, o grande "negociador" do CDS, é a forma atual de exercício do poder legislativo, marcando posição e dando visibilidade ao principal órgão da Autonomia, independentemente do proveito pessoal inevitável e provávelmente intencional, visibilidade e diamismo que nunca aconteceram antes, inclusive com Tranquada Gomes. O que é justo é preciso dizê-lo.

O anterior líder do Parlamento e um ativo importante do PSD-M expressa, publicamente, o que vai na "alma" do PSD-M, onde Miguel Albuquerque foi sexta-feira reconduzido na liderança, mas já disse que em 2023 faz o seu último mandato, ou seja se ganhar sai em 2027, altura em que se não houver uma "catástrofe", avança Pedro Calado. Albuquerque sempre disse que não ficaria muito tempo, deixando assim a porta aberta a eventual candidato capaz de trazer de volta a organização e união partidária.

E Tranquada, perante o futuro, aconselha a repensar na coligação com o CDS. E faz a declaração mais polémica mesmo para os seus mais próximos "apoiantes": não descartar o Chega. E perante isso, muitos PSD dizem: chega...




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