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  • Henrique Correia

Deixem-se do contencioso; o povo quer o ferry e quer rever o subsídio de mobilidade


Como é que dois governos, liderados por duas figuras tidas por responsáveis e sérias, não conseguem sentar-se e decidir aquilo que as suas "tropas" vão executar como combinado.




O contencioso das Autonomias foi alimentado por Alberto João Jardim durante décadas, a teoria do inimigo externo era uma imagem de marca do antigo presidente do Governo e funcionou, não raras vezes, com duplo objetivo, por um lado pressionar o Governo da República, mas também para mobilizar uma unidade interna contra um perigo que segundo a versão jardinista, nunca estava cá dentro, estava sempre lá fora. Uma estratégia à Jardim para reforçar o seu poder e ir ganhando dimensão na construção de um partido, de um Governo e de sucessivas maiorias absolutas.

O contencioso teve o seu tempo, hoje não faz sentido nessa fórmula de permanente conflito, com responsabilidades que não podem ser assacadas apenas a uma parte, mas sim aos dois governos, de gente crescida, de gente responsável, de gente que deve respeitar as instituições e as pessoas, que não utiliza as ansiedades públicas dessas mesmas pessoas, para jogos partidários cuja consequência é toldar a capacidade negocial acima de tudo e prejudicar os povos que representam. Já ninguém quer saber do contencioso das Autonomias, o povo quer entendimentos e respostas acerca da continuidade territorial, da Autonomia melhorada quanto baste, quer o ferry enquanto serviço público responsável, quer rever o subsídio de mobilidade para pagar só os 86 euros à cabeça, quer contas certas do Hospital, sem diatribes contabilísticas que deturpam o que representam os 50% de comparticipação do Estado, que fica assim por dois entendimentos que a população não entende sobre como é que não se fala claro acerca de um assunto tão sério. Como é que dois governos, liderados por duas figuras tidas por responsáveis e sérias, não conseguem sentar-se e decidir aquilo que as suas "tropas" vão executar como combinado. Se isso não acontecer, não há seriedade. Os governos são feitos para governar, não para "engonhar".

Não podemos assistir a festas na Quinta Vigia, onde a boa educação e os compromissos obrigam a ambiente cordato do ponto de vista institucional, as tais palmadinhas nas costas, e depois desancar a torto e a direito como se nada tivesse acontecido, como se nunca tivessem falado, os dois lados, que a relação está bem encaminhada e que agora éque é. São as tais facadas nas mesmas costas, uns dos outros. Não podemos assistir a promessas, em comícios, sobre uma política séria de mobilidade, com título de primeiras páginas de jornais, para protagonismos antecipados, e depois deixar cair o assunto conforme certos interesses.

E onde ficam os interesses dos madeirenses? E a capacidade de negociação de Estado por parte de quem nos governa, cá e lá? E a política ao serviço do bem comum, com as pessoas primeiro?

E depois não querem que se diga que andam a brincar aos partidos. A brincar com o povo, melhor dizendo...


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