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  • Henrique Correia

Deputados do PSD Madeira até podem voltar a ter peso se Costa falhar com PCP e BE



Não se sabe se um impasse nas negociações à esquerda faria Costa virar-se para outras soluções, uma vez que o PSD, com Rui Rio, não está num momento interno propício a facilitar o partido do Governo.


Com 108 deputados o PS precisa de apoios para fazer passar o Orçamento.


É pouco provável acontecer mas a verdade é que a aprovação do Orçamento do Orçamento de Estado ainda não tem aprovação garantida à esquerda, uma vez que tanto o PCP como o BE mantêm muitas dúvidas e deixam António Costa numa situação de aperto e de pressão.

O primeiro-ministro tem andado em negociações, nos últimos dias, uma aceleração à qual não está alheia a posição do Presidente da República, que já avisou para as consequências de um chumbo do Orçamento: eleições antecipadas, com tudo o que isso implica de negativo para o País, que não pode entrar numa crise política antes mesmo de sair de uma crise pandémica.

Acredita-se que Costa vai ceder, se não for diretamente pelo Orçamento, sê-lo-á por outras vias que satisfaçam a esquerda, designadamente o PCP, para que este viabilize o Orçamento sem perder a face, o mesmo podendo acontecer com o Bloco. É cedo para Costa "cantar vitória", mas crê-se que o aviso de Marcelo Rebelo de Sousa possa ter influência direta não só no PS mas também nos restantes partidos.

Uma outra solução, ainda que neste momento pouco consistente, seria colocar os deputados do PSD Madeira numa posição de "fiéis" da balança, ainda que nesse contexto o PS precisasse dos votos do PAN e das deputadas únicas, perfazendo 116 deputados.

A verdade é que endurecendo o discurso com Lisboa, como já aconteceu com Miguel Albuquerque, descontente com o que o Orçamento reserva para a Madeira, mas também com pacotes pendentes, trazendo à discussão tudo o que tem dividido Madeira e Lisboa.

Não se sabe se um impasse nas negociações à esquerda faria Costa virar-se para outras soluções, uma vez que o PSD, com Rui Rio, não está num momento interno propício a facilitar o partido do Governo. Ficaria, assim, a Madeira, no centro de uma alternativa e com muita coisa para ganhar, se não tudo pelo menos a parte.

Com o PAN próximo do PS e com garantias possíveis das deputadas únicas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira, os deputados pela Madeira poderiam ganhar peso, passando de uma guerra aberta com o Governo da,República para uma aliança conjuntural por conveniência, mesmo furando a disciplina de voto, o que não seria inédito, em nome do superior interesse da Madeira. Este figurino garantia o voto de 116 deputados contra os 114 restantes. É aguardar para ver.

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