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  • Henrique Correia

Derrota "afina" críticas: Marítimo com equipas fracas e modelo esgotado



Bruno Melim sócio há mais de 18 anos: "A situação de degradação do clube é deveras preocupante. O Marítimo parou no tempo. O campeonato está mais fraco e nós enfraquecemos"




A derrota de hoje, em casa, na receção ao Moreirense, fez subir o tom das críticas no Marítimo, até porque o a equipa não sai do último lugar da I Liga e desde que o presidente Carlos Pereira "atacou"os críticos, falou na dívida, no dinheiro do Governo que não chega e prometeu outros resultados, a equipa só conseguiu um ponto em seis possíveis.

Vários sócios do Marítimo, algumas figuras públicas, já reagiram. O médico Eugénio Mendonça preferiu ironizar: "Afinal...a equipa esteve muito bem na roda, efectuada no final do jogo. Pelo menos aqui estivemos bem". Luís Miguel Rosa, responsável pela IRAE e fervoroso maritimista, também crítico desta prestação da atual temporada, e alvo de resposta por parte do presidente do Marítimo, desta vez "lembrou" apenas que "faltam 12 jogos..."

Mas foi Bruno Melim, presidente da JSD-Madeira, que hoje veio assumir o seu maritimismo, associado, quebrando, como diz, um compromisso de não tomar partido clubístico, publicamente, enquanto estivesse em funções públicas. Quebrou, diz, porque o momento do clube exige. É sócio há mais de 18 anos, sempre disse presente, não tem nada contra os dirigentes, nem contra o presidente. Tem é contra "a situação de degradação do clube", que diz ser "deveras preocupante".

Refere que "nas últimas 3 épocas o plantel é fraco, remendado muitas vezes em janeiro, e dependente de uma ou outra figura. Basta ver o caso de Pinho. Mal amado por esta direção que todas as épocas o dava como dispensado é o pão para a boca no ataque. Ainda hoje foi ele que desbloqueou o lance do golo anulado ao Léo Andrade. Sai, no final da época, a custo 0. Casos como os de Rodrigo Pinho revelam a falta de profissionalização da estrutura de futebol do Marítimo. Foram vários os jogadores que saíram em final de contrato e não há uma preparação do scouting necessário" Bruno Melim diz que "não pondo em causa o desenvolvimento financeiro e estabilidade que esta direção deu ao Marítimo, sobretudo nos anos iniciais deste projeto, a verdade é que o modelo desportivo encontra-se esgotado. O Marítimo, no início dos anos 2000 e até 2008, lutava lado a lado com o Braga e o Guimarães, exceção feita aquela época de 2005/2006. Ora acontece que esses clubes cresceram e modernizaram-se e o Marítimo parou no tempo. Sou favorável ao entendimento da atual direção de que a SAD deve ser maioritariamente do clube. No entanto, ao nível de políticas de uma grande empresa isso não implica a inexistência de parcerias com investidores. Há um mercado na diáspora que o Marítimo não aproveitou nem sabe aproveitar" Para terminar, acrescenta "e antes que digam que o problema é a falta do financiamento público, a verdade é que com todos os prémios europeus pagos pelo GRM, a ajuda para o pagamento dos adiantamentos feitos pela Maritimo Sad na construção do Estádio, a verdade é que tínhamos equipas mais competitivas há 4/5 anos do que hoje. E não foram só os outros a melhorar. Não se esqueçam que entre o 11 e o 18 lugar, onde estamos, distam apenas 7 pontos. O campeonato está mais fraco e nós enfraquecemos". E depois das críticas, o apelo à união: " Não farei parte daqueles que usarão a estrutura para alimentar guerras ou egos políticos e/ou pessoais. Aconselho todos os sócios e os que gostam do Marítimo a fazerem o mesmo. Todos devemos ser parte da solução. É tempo de ajudar a coletividade e em Setembro, todos, pelo melhor da instituição, contribuírem para o que querem do seu futuro".

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