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  • Henrique Correia

Desconfinar o Porto Santo pode custar o verão; será pior abrir e voltar a fechar


O médico Rogério Correia, delegado de Saúde da ilha "livre de Covid-19", diz que "analisar o desconfinamento da ilha do Porto Santo só pelo número de casos que temos é um erro crasso"



O delegado de Saúde do Porto Santo decidiu tomar uma posição pública depois de algumas afirmações políticas e empresariais, no sentido da necessidade de haver um desconfinamento na ilha. O argumento é o facto do Porto Santo ser ilha livre de Covid-19, já leva mais de duas quarentena sem casos, para além da necessidade de aproveitar as férias da Páscoa para recuperar o negócio. Só que o médico Rogério Correia não pensa assim e defende as medidas de contenção, por muito que entenda a posição dos comerciantes.

Escreve que está solidário e compreende a angústia dos comerciantes locais, mas diz que "será muito pior para a frágil economia do Porto Santo abrir e voltar a fechar devido a um surto. Será uma imagem de grande instabilidade numa altura em que os Tour Operators estão a decidir os seus destinos turísticos deste ano, numa altura em que os hotéis preparam a sua abertura para a época alta da ilha dourada".

Rogério Correia sublinha que "a imagem de uma ilha com segurança que neste momento é certa, com a mensagem dos “0 casos” é fator decisivo para que a ilha do Porto Santo seja dos poucos destinos apelativos e procurado em plena pandemia. Sim, porque ela ainda existe! Alguma precipitação agora poderá custar-nos o verão e comprometer o nosso futuro.

Defendo que devemos abrir com toda a segurança, avaliando muito bem os passos e os momentos certos para abrir a ilha do Porto Santo, sem o recolher obrigatório.

Não vamos hipotecar o nosso futuro pelo desgaste e pelo cansaço do momento.

Este recolher obrigatório tem os seus dias contados. Vamos acreditar que o nosso sacrifício terá a sua compensação neste verão, que se espera melhor do que no ano passado".

O médico afirma que "analisar o desconfinamento da ilha do Porto Santo só pelo número de casos que temos é um erro crasso. O desconfinamento não depende exclusivamente do número de casos no Porto Santo, mas também da evolução pandémica das regiões, onde vivem os que nos visitam. E refiro-me sobretudo à ilha da Madeira, onde está o nosso principal visitante".

Aponta dois exemplos:

Primeiro, desde o início da pandemia a ilha da Madeira instalou no seu aeroporto uma barreira sanitária de controlo e que funcionou enquanto aqueles que a visitavam provinham de zonas sem grandes surtos, nomeadamente o português continental e algum mercado estrangeiro. Esta barreira funcionou bem até dezembro de 2020.

Contudo, quando surgiu novas ondas de surtos epidémicos, esta barreira sanitária foi ultrapassada e todos vimos os resultados que a ilha da Madeira teve no primeiro mês do ano 2021.

A evidência é que a barreira sanitária não é suficiente. É extremamente importante, mas funciona só enquanto os visitantes provêm de zonas sem muitos casos";


Segundo, no Porto Santo 2 infetados COVID no fim de dezembro, princípio de janeiro, sem quaisquer medidas de confinamento originaram cadeias com 36 casos positivos e mais de duas centenas de contactos de alto risco isolados.

Depois das medidas de confinamento, que se aplicaram logo na primeira semana de janeiro, os 4 novos infetados originaram redes com 10 casos positivos e só algumas dezenas de contactos de alto risco.

Os outros poucos casos que surgiram depois não geravam cadeias de transmissão. Eram apenas casos isolados.

Recorde-se que no início do ano, o Porto Santo não tinha casos COVID e e entrou em concelho de risco elevado apenas numa semana, porque não tinha quaisquer medidas de controlo.

Rogério Correia está consciente que "estamos todos desgastados com toda esta situação, mas a nossa esperança está no plano de vacinação a ser executado e prevê-se que até fim de abril temos 25% da população porto-santense vacinada, o que já protege grande parte dos grupos de risco. A nossa esperança está também no controlo epidémico na ilha da Madeira e no País".


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