Buscar
  • Henrique Correia

Desde o início de agosto Madeira teve 81 casos positivos. E há gente que vai continuar a relaxar?

O responsável pela OMS na Europa, veio alertar que outubro e novembro serão meses em que o número de mortos por Covid-19 vai aumentar.

Vivemos no "cantinho do céu". A Madeira é um "paraíso", também em termos de Covid-19, regista poucos casos, dá a imagem de Região segura e é efetivamente uma Região segura. Ainda é se soubermos manter a atenção e mudar o comportamento de algum povo que julga que sabe tudo precisamente por saber pouco do que pensa que sabe.

Não é que os madeirenses sejam muito cumpridores com as recomendações, ao contrário do que se diz porque fica mal dizer ao contrário. Basta dar uma volta pela ilha para ver isso, mas a verdade é que os indicadores continuam a ser positivos, fruto essencialmente das medidas adotadas, que passam por um controlo efetivo nos aeroportos e pelos constantes apelos das entidades de saúde para que haja uma preocupação que vise evitar uma escalada no número de infetados.

Mesmo assim, ainda longe de números de outras paragens, como por exemplo o espaço continental, onde ontem os casos positivos ultrapassaram as seis centenas, a verdade é que a Madeira, com a retoma do turismo e de um certo relaxamento em férias, registou 81 casos desde o início de agosto e até ao momento, o que não deixa de ser significativo e motivo mais do que suficiente para continuarmos alerta. Muitos dos casos, a maior parte, resulta de situações importadas, algumas do Reino Unido, que vem dar lições a Portugal mas de lá chegam casos positivos e diz-se que os cuidados dos britânicos são bem poucos. Mas precisamos de turismo, sobretudo britânico, é um mercado por excelência para a nossa recuperação. Mas vá lá que a Madeira ficou de fora das restrições. Só que ainda ontem, quatro dos seis casos foram precisamente do Reino Unido. São os riscos, não há volta a dar.

Acontece que o facto de estarmos distantes dos valores de outras regiões, não nos deve servir de consolo. Nem deve ser motivo para retirarmos o "pé do acelerador" relativamente aos cuidados que devemos ter. Todos os dias, a toda a hora, todos ouvem falar do uso da máscara, as pessoas sabem que esse é o primeiro patamar da proteção, dizem isso mesmo quando são entrevistadas, estão conscientes da necessidade. Mas muitos não usam. E pelo que se vê, é muita sorte não haver mais casos, ainda que já se registem situações de transmissão local que merecem uma atenção particular.

Um dia dois, um dia sem casos, um dia com cinco, outro com seis. E assim sucessivamente, vamos contabilizando e a verdade é que chegámos a uma altura em que é preciso apelar, ainda mais, à responsabilidade de cada um. Apelar a quem tem responsabilidade. Os que não têm, e infelizmente são muitos, não vale a pena qualquer apelo, é perder tempo.

O responsável pela OMS na Europa, veio alertar que outubro e novembro serão meses em que o número de mortos por Covid-19 vai aumentar. Não é que o número de mortos por outras patologias não contem, contam e muito. Há mais mesmo. Mas a Covid-19 é nova, desconhecida a determinado ponto e é esse grau de desconhecimento que não nos permite garantir, como tenho visto, que é mais uma gripe. Não é.


55 visualizações