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  • Henrique Correia

E agora como fica Miguel Albuquerque "pré-candidato" à Presidência da República?


O PSD já decidiu, está decidido: apoio formal à recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições de janeiro de 2021 para a presidência da República. Ainda nem é formalmente candidato e já tem apoio do seu partido, o PSD. Rui Rio quis esclarecer todas as eventuais dúvidas e termina, assim, com especulações: apoio a Marcelo é inequívoco, há mais coisas que aproximam o PSD do atual Presidente do que coisas que afastam. Digamos que foi a escolha natural face aos candidatos já alinhados para esta "corrida" que parece ter vencedor antecipado, a diferença é saber por quantos.

Mas esta posição do PSD tem outras implicações sobre as quais vale a pena refletir, em função da forma como os contornos políticos foram surgindo à volta da candidatura presidencial, tanto por parte do PS e de uma abertura de António Costa face à recandidatura de Marcelo, mas também a nível interno, no PSD-Madeira, com Miguel Albuquerque a admitir a possibilidade de, ele próprio, assumir uma candidatura contra Marcelo, avançando mesmo que a direção nacional do partido poderia abster-se de apoiar um candidato e, assim, dar liberdade de voto aos militantes. Albuquerque não escondia a desilusão face ao que considerou ser o silêncio e a falta de exercício da magistratura de influência, por parte do Chefe de Estado, relativamente às pretensões da Madeira, que no entender do governo madeirense, de coligação PSD/CDS, estavam a ser bloqueadas pelo Governo socialista e de suporte de esquerda. E essa desilusão foi crescendo, de tal modo que o líder do PSD-Madeira acabou por ter um discurso mais musculado e difícil de voltar atrás naquele que é o relacionamento com Marcelo, mesmo sabendo que em política as divergências de hoje são aproximações de amanhã. É política, diz o povo, está tudo dito. Não sei se isso será bom, mas é assim, nada a fazer.

Não sei como é que Albuquerque vai sair desta. Nem Albuquerque, nem António Costa. Rui Rio, talvez sem querer, encostou os dois à parede. E agora? Costa vai apoiar o candidato apoiado pelo PSD? Albuquerque vai manter a sua posição de se candidatar só para a fotografia e os debates, mas com derrota anunciada, cumprindo o combate a Marcelo, mas colocando-se à margem da dedisão nacional do seu partido? Ou vai tentar o "golpe de rins" e abandonar a ideia "peregrina" de ir a confronto para perder, dando uma espécie de liberdade de voto aos militantes do PSD-Madeira? Do mal, o menos. Tanto Costa como Albuquerque colocaram-se a jeito para este "beco sem saída". Vão encontrar uma saída. Se será uma boa saída, é outra coisa.

O presidente do PSD-Madeira e líder do Governo Regional não pode tentar ganhar muito mais tempo, corre o risco de perder esse tempo e mais qualquer coisa. Haverá um momento para decidir se vai mesmo ser candidato para o debate político e levar à discussão o problema da Regionalização, mostrando argumentos no enquadramento da campanha. Só que, para isso, é preciso desgastar a imagem, é preciso tirar tempo ao que é essencial mesmo, a governação regional em tempo sensível de pandemia. É preciso que uma eventual candidatura de Albuquerque a Belém, onde o que vai ganhar será pouco, não tenha como reflexo a governação regional, onde o risco é grande de perder muito.

É preciso ponderar os pratos da balança. Não deve demorar muito a ver isso. Ver, já viu. Decidir, melhor dizendo.

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