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  • Henrique Correia

Eleições nacionais no PSD podem dizer muito sobre o PSD-Madeira hoje


Para Jardim, tudo o que "cheire" a Passos, quer distância. E o apoio que dá a Rui Rio apresenta-se, neste contexto, natural. Apesar de Rui Rio ter um estilo de liderança totalmente diferente do de Jardim.




A verdade é que há muito tempo não se via um empenhamento tão grande do PSD Madeira nestas eleições nacionais internas de 27 de novembro. Um empenhamento muito entre portas, para a rua transparece quase um "façam como quiserem" com a liberdade de voto dada por Miguel Albuquerque, o líder regional, que obviamente tem preferência e colocou as suas "tropas" posicionadas num determinado sentido sem dar a entender em quem.

Albuquerque não quer ter problemas depois das eleições, mas talvez Paulo Rangel, o mais próximo de Passos Coelho, pudesse servir melhor o seu espaço privilegiado de ação, tendo como mandatário um homem "albuquerquista" que vem de longe, Rui Abreu, como mandatário regional. Já foi mais braço direito e até esquerdo, mas ainda pode valer algum peso, é o atual diretor regional das Comunidades no governo de coligação com o CDS.

Este sábado, o Expresso coloca a Madeira com uma dimensão que pode ser importante na decisão final, se for como se diz, uma luta equilibrada: "Outro campo de batalha ao rubro é a Madeira: a região tem 2700 militantes inscritos, sendo expectável uma divisão entre as hostes — que há dois anos estiveram com o agora rangelista Miguel Pinto Luz. Se Rio ganhar, terá uma vitória para festejar tão grande como a câmara do Porto em 2001. Se Rangel perder, não terá uma terceira oportunidade."

Esta leitura do semanário Expresso tem, na génese, o que vale Rui Rio neste momento na Madeira. E apesar do líder nacional ter um perfil demasiado passivo na oposição ao Governo PS, a verdade é que muitos militantes, que até pensam isso, vão votar Rio para aferirem como está o PSD Madeira em matéria de tendências internas. Uma determinada ala social democrata que tem andado por aí, tem aqui a sua oportunidade para votar em Rio só para afastar o "fantasma" de Passos Coelho e por tabela , mandar mensagem a Miguel Albuquerque, como se sabe um "passista" convicto.

Rui Rio disse que não fazia campanha, não queria disputa interna num momento em que essa disputa é mais exterior, tem como alvo António Costa. Mas vem à Madeira, o que certamente não é por acaso. O mandatário de Rio é Pedro Coelho, presidente da Câmara Municipal de Câmara de Lobos, um homem que só dá vitórias ao PSD e que inclusive tem uma base de apoio que o coloca como potencial candidato à liderança regional do partido. Próximo de Alberto João Jardim, que como se sabe foi o mandatário nas recentes autárquicas, que até reforçaram o seu peso vitorioso em Câmara de Lobos.

Alberto João Jardim, também é sabido, não tem especial simpatia pelo espaço de apoio de Passos Coelho, que é como quem diz de Miguel Albuquerque. Jardim aceitou a união do partido nas últimas eleições autárquicas, mas muito mais para eleger Pedro Calado do que propriamente para apoiar Miguel Albuquerque. A crispação também se sabe a origem, uma vez que Jardim atribui a Passos Coelho uma intervenção, na Madeira, com a conivência de Albuquerque, para a criação de um "movimento" a que chamou de "renovadinhos", e que ainda hoje chama. Atribuiu a Passos a influência na autoria do "plano" que resultou na sua saída.

É verdade que Jardim estava mais do que no tempo de ter feito uma saída em grande com uma transição pacífica. Juntou-se a demora individual com a mobilização interna dos que queriam mudar e deu na transição que deu, atribulada. Quem está 40 anos no poder, pensa spre em mais 40 e pode perder o discernimento sobre o momento certo, que nunca é.

Por isso, para Jardim, tudo o que "cheire" a Passos, quer distância. E o apoio que dá a Rui Rio aoresenta-se, neste contexto, natural. Apesar de Rui Rio ter um estilo de liderança muito diferente do de Jardim.

Por todos estes motivos, e com 2700 inscritos não se sabe vindos de onde, eram 1500 há pouco tempo, o PSD Madeira prepara-se para assistir a uma eleição real, a do líder nacional, mas também a uma virtual, de aferir a correlação de forças no

PSD Madeira.

Quanto ao essencial nesta eleição, nacional, o PSD tem o desafio de fazer eleger um líder candidato a primeiro-ministro. Em dois meses. No fundo dois problemas, fazer um líder e ter do outro lsso um já feito: António Costa.




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