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  • Henrique Correia

(En) Costa com tudo à "parede"


Estas legislativas nacionais de hoje ditaram um grande vencedor, António Costa, porque é mais político, porque tem peso, tem arte política e teve o engenho de dar a volta quando estava a ver o terreno a fugir-lhe. Rio fez o resto.




Rui Rio foi um "patinho" e Costa foi um "rato": aumento de salários e de pensões pode esperar, o Serviço Nacional e Saúde tendencialmente pago em vez de tendencialmente gratuito. Um "tiro no pé" do tamanho grande que acabou por penalizar o líder social democrata, que até então até estava a sair-se melhor na campanha. Sentenciou o seu futuro com aquela de primeiro o IRC e só depois o IRS. Tem razão mas não pode dizer assim, sem mais nem menos. Depois, só para explicar que não é assim, já perdeu. Claro que é bom quem fala verdade, mas Rio precisava de votos, não precisava de pancadinhas nas costas de economistas.

Estas legislativas nacionais de hoje ditaram um grande vencedor, António Costa, porque é mais político, porque tem peso, tem arte política e teve o engenho de dar a volta quando estava a ver o terreno a fugir-lhe. Uma vitória estrondosa, vamos ver o quanto vale mais tarde com a divulgação dis resultados finais, mas sabe-se o suficiente para dizer que o PS saiu destas eleições com um resultado expressivo, impensável pelas sondagens, mas um resultado suficientemente forte para, ou governar sozinho ou governar da forma que quiser quem quiser. Ou seja, o eleitorado disse claramente que queria o PS a governar. Rio foi o primeiro a ser encostado por Costa, neste quadro eleitoral.

O líder social democrata pode ter ditado o seu futuro nestas eleições. Não parece com condições para continuar, ainda por cima podendo ser o pior resultado do partido em legislativas. Não haverá muito espaço de manobra para Rui Rio.

Mas António Costa fez mais, claro está com o apoio dos votos: encostou o Bloco de Esquerda e a CDU, precisamente os partidos que tiraram o tapete ao primeiro-ministro no chumbo ao Orçamento. Aquilo que os eleitores disseram foi, objetivamente, uma penalização do Bloco e da CDU, que perdem deputados e têm o seu peso futuro ameaçado, o que aliás acontece também à direita com o CDS, com um afundamento mais do que esperado. Aqui na Madeira, o líder Rui Barreto deve estar a "rezar a todos os santos" por esta ligação ao PSD, caso contrário o destino poderia muito bem ser o mesmo.

Em contraponto, de subida, estão o Chega e a Iniciativa Liberal, sendo este um caso relevante ao ponto de conseguir uma eleição alargada de deputados. João Cotrim de Figueiredo bem pode ficar satisfeito com os resultados, mas o País deve estar muito atento aos sinais que levaram Ventura a aumentar a representação parlamentar.

Relativamente à Região, mais do mesmo. E por uma razão simples: a coligação está em alta e o PSD Madeira, com o CDS, capitalizou os seus votos numa eleição nacional, como sempre aconteceu. O PS Madeira está em baixa, não atravessa um período de grande empolgamento, a que se junta uma lealdade "laranja" do eleitorado, uma situação que vem de longe. Mesmo assim, os resultados foram mais favoráveis aos socialistas, que mantoveram os 3 deputados que já tinham, além de que a fraca lista do PSD-M, teve também expressão nos resultados.

Mas há dados a registar além disso: o Bloco e a CDU praticamente tiveram um registo mínimo, uma realidade que deve fazer repensar os seus responsáveis. Ao contrário, as subidas do Chega e da Iniciativa Liberal, em patamares diferentes, mas relevantes para reflexão dos chamados pequenos partidos. O JPP tem uma prestação apreciada em Santa Cruz, mas o resultado mostra que ainda falta algum percurso para ir mais longe. O resto foi o esperado.

Agora, é ver as contas.



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