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  • Henrique Correia

Estamos tão fartos da pandemia que não é preciso tornar obrigatória a vacina; é para já...

Neste caso, talvez não seja preciso obrigar, não é uma máscara. E se pudesse ser hoje, iam todos



Num momento em que ainda se sabe muito pouco relativamente à pandemia da Covid-19, com mutações no que se prende com o escalão etário mais atingido, que tem variado com o tempo e que neste momento afeta mais as pessoas entre os 20 e os 39 anos, ainda que sendo mais mortal numa faixa superior aos 80 anos, surgem as questões relacionadas com a vacina, o número de doses, as prioridades na respetiva administração e sobretudo a necessidade de torná-las obrigatórias, calculando-se que mesmo sem essa obrigatoriedade, o processo de vacinação faça parte do programa nacional, logo sem custos. Mas a obrigação, como sempre, é o grande problema, se pode ou não pode. Neste caso, talvez não seja preciso obrigar, cada um já se recomenda e se pudesse já se vacinava hoje

A diretora-geral de Saúde, que tem vindo a demonstrar algumas tibiezas nas posições que assume nas conferências de imprensa, veio afirmar que a legislação permite tornar obrigatória administração da vacina, mas a decisão sobre esse assunto ainda está num plano de avaliação por parte das autoridades de saúde, cujo conhecimento, também, neste particular, vem sendo apurado a cada dia que passa.

Graça Freitas revelou que “a definição dos grupos prioritários para receber a vacina contra a COVID-19 terá em conta as caraterísticas da própria vacina, sublinhando que serão estabelecidos os grupos prioritários para a vacinação, “que são definidos por especialistas em vacinação, doenças infeciosas, farmácia e virologia, que têm em primeira linha de consideração o tipo de vacinas e as caraterísticas da vacina”, adiantou a especialista em saúde pública. É necessário ter em consideração a ficha das vacinas para saber a que grupos específicos (etários, de risco) se destinam e se há eficácias distintas para diferentes grupos etários”.

“Quando tivermos essa informação disponível, então definiremos as prioridades”, afirmou a Diretora-Geral da Saúde, ressalvando que há dois grupos que serão sempre prioritários, nomeadamente os grupos mais vulneráveis e os cuidadores. “É muito importante que, quando se está numa pandemia, os profissionais de saúde e outros cuidadores na área da saúde e social estejam saudáveis para poderem prestar cuidados”, sublinhou. À medida que as doses forem chegando, as pessoas vão sendo vacinadas consoante os critérios de prioridade.

Esta semana, o governo português aprovou, por via eletrónica, a autorização para o investimento de 20 milhões de euros em contratos a celebrar para a aquisição de vacinas contra a COVID-19, numa estratégia europeia que visa acelerar, com esta primeira fase, o processo de vacinação que, apesar de todos os estudo, ainda envolve muitas reticências sobre a real eficácia futura.

“O Estado Português associa-se assim à aquisição de vacinas contra a doença COVID-19 no âmbito do procedimento europeu centralizado, sendo que a Resolução do Conselho de Ministroos corresponde à primeira fase dos procedimentos aquisitivos, a realizar em 2020, assegurando a aquisição de 6,9 milhões de doses”, pode ler-se no documento distribuído após a decisão governamental, onde reforça que “a estratégia nacional, as populações-alvo serão definidas pela Direção-Geral da Saúde (DGS)”.

Quanto à obrigatoriedade, julgo que neste enquadramento de pandemia, em que as pessoas estão com um misto de medo e desejo de liberdade, não será difícil prever uma “corrida” à vacina, nada a ver com o uso das máscaras na rua, em que a discussão é grande e acabou por ser dispensável neste agosto de férias, em muitos acharam que o vírus também tirou uns dias. Não é verdade, sobretudo num destino turístico como a Madeira, que está a receber mais visitantes. Não é por acaso o registo que a Madeira apresenta: 19 casos positivos em 16 dias de agosto. É para refletir.

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