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  • Henrique Correia

Famílias inteiras sem dinheiro para comer deixam Filipe Sousa em estado de "alerta"


"Até março do ano passado tinham uma vida estruturada e que, de repente, deixaram de poder assumir os compromissos mais básicos como pagar a casa, colocar comida na mesa e pagar os estudos aos seus filhos"




O habitual espaço que o presidente da Câmara de Santa Cruz disponibiliza no Facebook, a que intitulou de "Ponto de Ordem", registou este domingo uma caraterística diferente, um retrato de uma situação que, neste momento, sendo transversal a vários concelhos da Madeira, ainda tem contornos e dimensões verdadeiramente incalculáveis na generalidade dos casos, também neate concelho em particular.

A pandemia trouxe o caos a muitas famílias, muitas delas começam, agora, a sentir os efeitos de perder rendimentos, famílias inteiras que estão a contar os cêntimos que não chegam. Os apoios estão a acabar e agora é que vai ser o problema. Tudo é sempre pouco para o muito que falta.

Filipe Sousa escreveu hoje, como diz, de "coração apertado". Sabe do que fala num concelho que tem zonas de grande densidade populacional. Diz que "são cada vez mais as famílias que me contactam dando conta das dificuldades que enfrentam em consequência da pandemia da COVID-19, que cortou rendimentos e destruiu postos de trabalho". São "famílias inteiras que até março do ano passado tinham uma vida estruturada e que, de repente, deixaram de poder assumir os compromissos mais básicos como pagar a casa, colocar comida na mesa e pagar os estudos aos seus filhos. Pais e mães cujas histórias me tiram o sono e me deixam num estado de alerta constante".

Dirige-se aos munícipes lembrando que "tive, logo de início, a perceção de que esta pandemia, além do problema de saúde que é, teria efeitos nefastos. Santa Cruz foi das primeiras a ter um programa de distribuição de cabazes alimentares, que se mantém até hoje e que será repetido agora em março. Alargamos os beneficiários das bolsas de estudo e fomos além do IAS neste apoio, mantemos o Fundo Social de Emergência em aberto".

Desabafa perante as críticas de falta de apoio às empresas. Diz que "essa gente que esgrime tais argumentos desconhece a realidade financeira de uma Câmara". Reforça que "os orçamentos camarários não têm dimensão para tal e esse capítulo de apoio às empresas tem de ser direcionado para as políticas macro dos governos. Embora em Santa Cruz se tenha optado por apoios indiretos às empresas, como o são algumas isenções de rendas e taxas".

Escreve para dizer que a Câmara faz o que pode: "Se eu gostaria de estar a fazer mais? Claro que gostaria, claro que as limitações me tiram o sono e me entristecem. Por isso é que não vou desistir de, por exemplo, fazer com que o Governo Regional nos pague o que reteve de IRS e que seria uma prestimosa ajuda neste momento. Ainda ontem lia que o Governo dos Açores vai pagar a dívida de 11 anos dos 5% do IRS às autarquias".

Mas para já, enquanto não entra outra capacidade orçamental, Filipe Sousa promete fazer "o que está ao meu alcance. E o que está ao meu alcance é a ajuda imediata e o mais rápida possível a quem sente os problemas agora e não pode esperar por dias melhores. É com o coração apertado que o faço, mas também é de coração aberto que peço às famílias deste concelho que não calem as suas necessidades".

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