Buscar
  • Henrique Correia

Gente (in)feliz com máscara

Com este calor parece que a Covid está do lado de dentro, mas quem manda parece que pode



Claro que me chateia usar máscara de proteção na rua. Dentro "vá que não vá", mas fora, ao ar livre, chateia-me. Mas mais vale prevenir do que remediar e hoje, no Funchal, estou a andar sempre com máscara. A minha consciência, individual e coletiva, disse-me.

Falei menos, talvez não se tenha perdido grande coisa, mas o que falei foi mais alto, murmurei mais, gesticulei mais, mas senti-me mais seguro, pode ser psicológico. Uma sensação desagradável, mas mais segura, que pode não ser a mais certa sobre o que se debate. Com este calor parece que a Covid está do lado de dentro, mas quem manda parece que pode. Pode, como quem diz, manda e pronto, o resto logo se vê. Mas justificam dizendo que antes era assim, e às vezes era. E por isso faz-se igual mesmo que a "renovação" fosse para fazer diferente.

Mas sobre a máscara, discuto mas uso, mesmo que se saiba pouco sobre o que se deve fazer. Vamos por tentativa e erro. Já sei que não sou médico e por isso não posso falar, dizem que agora todos têm a mania de médico e lembro-me do que é popular: de médico e de louco todos temos um pouco. Mesmo que os médicos saibam pouco sobre a pandemia, sempre aconselham com melhor conhecimento mesmo do que conhecem pouco. Já sei que não sou advogado e por isso não posso falar, é o que dizem, todos se acham advogados, mesmo que a lei seja aquela, esteja escrita. Dizem que depois dá-se a volta, há sempre uma maneira. Um dia destes mandam amarrar as mãos para não levar à cara e que se lixe a lei, é para a saúde, ficamos mais descansados. Amarrados, mas descansados. E felizes. Por isso é que não sou advogado. Já sei que não sou político e também por isso não posso falar, os do PSD e os do CDS dizem que se deve usar máscara e não se fala mais disso, parece que são todos, também, médicos e advogados. Falam como se fossem, podem falar e já agora fazem política e alguns até pensam que é da boa. Também há quem acumule. E fazem de jornalistas, às vezes. Mas aí já podem.

Os do PS dizem que não, que é um exagero, parece que são todos médicos e advogados, também às vezes jornalistas. Até os do PCP foram ao Palácio de São Lourenço protestar pela medida de uso das máscaras na rua, que entrava em vigor a 1 de agosto, e disseram-me que já iam de máscara posta na descida do Golden. E ainda estávamos a 31 de julho. Isto é que é protesto. O Fisco faz isso bem, paga e depois protesta.

Mas mesmo que não seja médico, nem advogado nem politico, são tantas as vezes que se passam por jornalistas que eu, sendo jornalista, vou continuar a escrever prometendo que só falo do que não é técnico, mesmo sabendo que a técnica, em política, é fácil. Se o partido está no poder faz sempre bem. Se está na oposição, o governo faz tudo mal. Acaba por ser fácil e pouco criativo. Mas não vou por aí.

Vou continuar a usar máscara. Mas não com o exagero que o entusiasmo do Dr. Pedro Ramos sugeriu com aquela da felicidade e que adaptada ao romance de João de Melo "Gente Feliz com Lágrimas" bem pode ficar o que vemos pela cidade: "Gente (in)feliz com máscaras". Mas seguramente mais prevenida.

0 visualização