Governo quer "disciplinar" as opções dos turistas...?
- Henrique Correia

- 26 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Eduardo Jesus diz que vai tudo para os mesmos sitios ao mesmo tempo. Mas ainda não explica como "disciplinar" as opções livres das pessoas.

As pessoas têm o hábito de irem para o mesmo sitio e ao mesmo tempo, dá a ideia de miuta gente quando podia haver uma melhor distribuição. Foi assim que o secretário regional do Turismo, Eduardo Jesus, abordou a questão de sobrelotação dos pontos turísticos na Região, numa procura por explicar como se chegou a esta situação de caos em sítios como o Cais do Sardinha, Pico Ruivo, Ribeiro Frii, Pico do Arieiro, levadas, além de miradouros.
O governante parece querer dizer que não há circulação de pessoas a mais, quando efetivamente há. Que vão todos à mesma hora nos mesmos sitios, não é de todo verdade, há sobrelotação em várias períodos do dia, naturalmente com "picos", mas não é o caso de haver enchentes de manhã e espaços vazios à tarde, nada disso. Há enchentes durante todo o dia e a menos que a distribuição se faça também pela noite, caricaturando a realidade, dificilmente Eduardo Jesus conseguirá distribuir os visitantes de modo a evitar enchentes. Há muito turismo, não está em causa se caminhamos para a massificação, é bom ter turismo, mas há uma realidade que não permite "tapar o sol com uma peneira": existem visitantes a mais para os espaços que temos. E tenho dúvidas se o pagamento irá alterar muito esse cenário. Mesmo que a justificação do pagamento não seja disciplinar visitas, diz o secretário, mas ajudar na manutenção.
O secretário regional Eduardo Jesus atravessa, provavelmente, uma fase governativa difícil, muito possívelmente por "enchente" de problemas e por "sobrelotação" de pelouros para dar conta deste "recado" que é o turismo, a que se juntou, agora, o Ambiente. Um a poder prejudicar o outro e a dificuldade de conciliar equilíbrios numa secretaria que, de repente, tem várias situações susceptíveis de "meter os pés pelas mãos". É preciso ponderação e declarações com sentido para que os madeirenses possam acreditar na boa vontade das soluções. Mas obrigar os visitantes a uma agenda imposta sobre visitas, sítios e horas, parece inviável e até despropositado. Impor horários de funcionamento e pagamentos, é possível, impor ao turista que vá às 9 horas ao Pico Ruivo e às 14 horas ao Cabo Girão, parece pouco credível.
Em entrevista à RTP Madeira, Eduardo Jesus defende que é preciso disciplinar, de forna mais natural possível, os acessos a cada sítio, revelando que está em curso um estudo, da Universidade da Madeira, onde serão avaliadas as cargas de cada um dos pontos turísticos para que possamos ficar com uma ideia de quantas pessoas podem estar ao mesmo tempo, o que, segundo o governante, resultará em decisões que vão beneficiar todos os agentes económicos. O que o secretário não disse é a fórmula para essa "disciplina", como obrigar as pessoas a irem para sítios sem ser por programação da própria disponibilidade da vida do dia a dia, residentes e visitantes.
Eduardo Jesus acredita que os limites do turismo estão próximos e o objetivo é manter a atividade turística com rendimento e com melhoria de condições para os trabalhadores.





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