Buscar
  • Henrique Correia

"Há que sacudir o conformismo"

"O barrete cardinalício é colocado na cabeça, mas não para substituir a cabeça". A expressão curiosa é do cardeal madeirense Tolentino Mendonça à Visão



Esta expressão, cheia de tudo, envolvendo um significado amplo da vida, no seu todo, foi dita pelo cardeal poeta madeirense José Tolentino Mendonça, em entrevista à Visão, curiosamente conduzida pelo escritor Onésimo Teotónio de Almeida, de 73 anos de idade, num contexto do lançamento do livro de Tolentino Mendonça "O Que é Amar um País".

Esta declaração de uma figura ímpar da Igreja Madeirense, da vida madeirense, natural de Machico, lança várias reflexões sobre a forma como as vivências e as funções, as missões e os cargos, os valores e as formas, são traduzidas por cada um, de modo diferente, como diferente fica, depois, a grandeza dos homens, de cada um por si. Como é diferente o pensamento, a expressão, a valorização do ser pensante, independentemente do barrete que se assume, sendo que por vezes, transpondo para outras atividades, o "barrete" funciona no sentido figurado das orientações que as diferentes missões obrigam. E cada um assume o "barrete" como quer, pela forma como vê. A forma, aqui traduzida, pelo cardeal Tolentino Mendonça, é a mais elevada de afirmação perante a sociedade. Sem violar regras, princípios, valores. Só dando corpo à vida e ao mundo, de modo simples e, mesmo assim, marcante.

Nesta entrevista, D. Tolentino diz ainda que "os grandes sonhos não se fazem só quando há ambiente para isso. Na maior parte das vezes, fazem-se contra o ambiente ou apesar dele. Há que sacudir o conformismo.


16 visualizações