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  • Henrique Correia

Há "responsabilidades" antes da polícia...

A polícia deve ter autoridade. Os poderes regionais devem ter soluções. As situações devem ter visibilidade. Em nome da segurança das populações.



O senhor comandante da Polícia de Segurança Pública na Madeira, Luís Simões, disse hoje, na cerimónia comemorativa dos 142 anos do Comando Regional, que alguns fenómenos criminais associados a questões sociais e de saúde pública têm ganho visibilidade e são empolados, por vezes, por diferentes interesses, económicos e políticos. É verdade que admitiu um aumento da mendicidade, dos furtos e da insegurança, que se sente efetivamente, o que constitui já uma atitude que, de alguma forma, deixa os cidadãos mais tranquilos, não ainda, mas certamente para o futuro, queremos acreditar nisso.

Não sei se é bem assim como o senhor comandante diz, aquela questão dos interesses económicos ou políticos, mas o senhor comandante lá sabe o que sabe sobre estes interesses que se movem e que fazem ricochete na PSP. Se é assim, faz bem em colocar os pontos nos "is" e não permitir que responsabilizem a polícia por haver mais situações que antes não existiam e que o Funchal está mais inseguro e até parece meio descontrolado, em algumas ruas, que Câmara de Lobos atravessa uma fase de mais furtos e violentos, que o Porto Santo teve episódios de vandalismo que só passou quando a polícia foi reforçada, que afinal o confinamento trouxe dados novos que exigem, também à polícia, uma outra atitude que certamente o líder máximo da instituição, na Madeira, sabe melhor do que ninguém, pela competência que se lhe reconhece. Mas também é preciso não deixar para outros o papel da polícia. Em nome de verdadeiros interesses, os dos cidadãos.

Mas o senhor comandante, o superintendente Luís Simões, disse, também, que "a PSP tem de atuar de modo sereno e profissional" mostrou-se decidido em não permitir que a PSP ou os seus profissionais venham a ser injustamente acusados de inação ou de serem responsáveis por problemas que têm mais a ver com a falta de civismo, de educação ou de ação por outras instituições ou outras instâncias de controlo social".

Tem toda a razão para este alerta e fê-lo no melhor momento para que todos possam confirmar que a polícia está bem preparada, faz o diagnóstico correto da situação de insegurança que se vive, que é preciso tratar do assunto antes de chamar a polícia por inação de outras entidades. Outras entidades que estão no foro da saúde e do social, que devem encontrar uma solução para este crescimento da mendicidade, dos sem-abrigo, de um maior número de pessoas que se deslocam para comportamentos desviantes por força de uma situação que acabou por ter influência, direta ou indireta, na vida de todos nós.

Na realidade, neste particular, o comandante tem toda a razão. A sociedade cria problemas, está egoísta, as entidades têm dificuldades para acudir a todas as necessidades que diariamente surgem de forma avassaladora, e depois querem que a polícia resolva tudo quando até a lei não lhe permite ir além do que seria aconselhável. E depois, ainda, acontece como tem acontecido, felizmente não tanto aqui, mais no continente, onde os cidadãos exigem atitude da polícia e quando a polícia tem atitude é acusada de abuso. Mesmo quando se vê abusos permanentes à polícia.

A polícia deve ter autoridade. Os poderes regionais devem ter soluções. As situações devem ter visibilidade. E cada um que faça o seu trabalho em nome da segurança das populações e não dos interesses.

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