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  • Henrique Correia

Homenagem do Funchal a "paralímpico" que não foi aos Jogos gera grande polémica


Deputado social democrata Carlos Rodrigues reage com "dureza": "Tudo com o vil e rasteiro objectivo de raspar uns votos do chão bolorento onde vegetam".




Está a causar enorme polémica a homenagem que a Câmara Municipal do Funchal prestou, como refere em nota de imprensa, "ao antigo nadador paralímpico Filipe Rebelo, que passa agora a figurar no Hall of Fame dos atletas Olímpicos madeirenses, que está patente no piso 1 do La Vie", como se pode ler no texto enviado sobre o assunto. Acontece que Filipe Rebelo nunca esteve presente nuns Jogos Paralímpicos, não sendo, por isso, atleta paralímpico, embora tenha praticado natação adaptada.

Miguel Silva Gouveia destacou a capacidade de superação do atleta que apesar das adversidades conseguiu, “com muita força e empenho, voltar a sorrir e tornou-se no primeiro madeirense a competir na natação adaptada. Desde então, participou em diversos campeonatos nacionais, europeus e mundiais, e construiu um currículo desportivo vasto que em muito contribuiu para levar o nome do nosso Funchal além-fronteiras.”

Recorda a Autarquia que "o nadador participou no Ciclo Paralímpico Sidney 2000", sendo esta uma terminologia que levou à interrogação por parte de muitas pessoas, apontando desconhecimento sobre o que significa ciclo paralímpico.

De facto, a Câmara ainda podia ter apontado Filipe Rebelo como participante em ciclo paralímpico Sydney 2000, se o entendimento fosse a participação num ciclo, incluindo o apuramento. Mas ao apontar como atleta paralímpico, significa que participou mesmo nos jogos integrando a comitiva portuguesa, o que de facto não aconteceu, uma vez que os representantes da Natação Adaptada, em Sydney, foram Leila Marques, Maria João Morgado, Nelson Lopes, Susana Barroso e Perpétua Vaza.

Ao todo, a comitiva portuguesa em Sydney alcançou os 45 homens e as 7 mulheres, num total de 52 atletas distribuídos por 7 modalidades.

Face a este enquadrando, que a proximidade das eleições ampliou de forma significativa, logo surgiram críticas à Câmara do Funchal, por relevar uma situação que não aconteceu exatamente como aponta, constituindo motivo para críticas contundentes e alguns pedidos para que a Autarquia dê explicações públicas sobre este lapso.

"Sinto um profunda vergonha alheia. É o derradeiro ultraje a todos os que PARTICIPARAM nos jogos olímpicos. Tudo com o vil e rasteiro objectivo de raspar uns votos do chão bolorento onde vegetam", reage o deputado social democrata Carlos Rodrigues.

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