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  • Henrique Correia

Hoteleiro André Barreto questiona Governo sobre pagamento de turistas e escolha de hotéis Covid

"Quem vendeu quartos a 100€, vai pagar a terceiros 141€? E porquê 141€, atendendo a que por exemplo uma das unidades escolhidas se vendia na Booking, pré-pandemia, a 55€? Por quarto! Duplo!"


André Barreto, hoteleiro, decidiu "tirar o casaco", para usar um termo popular mas sempre oportuno , trazendo a público, na sua página do Facebook, a posição sobre uma das medidas avançadas pelo Governo Regional, no sentido de fazer com que "os estabelecimentos hoteleiros ou de alojamento local transfiram, a título de comparticipação ao Instituto de Administração da Saúde, a receita referente à diária de alojamento que lhes tenha sido paga adiantadamente, deduzindo as diárias efetivamente utilizadas, bem como a despesa de 120,00€, (cento e vinte Euros), valor ao qual acresce o IVA à taxa legal em vigor, relativa à desinfeção do alojamento".

O Governo decidiu que "o valor a transferir tem como limite máximo o número total de diárias no estabelecimento hoteleiro reservado para doentes COVID-19 e corresponde ao valor unitário de 108,00€ (cento e oito Euros), por quarto individual e 141,00€ (cento e quarenta e um Euros), por quarto duplo. Esta medida aplica-se a todos os estabelecimentos hoteleiros ou de alojamento local estabelecidos no território da Região Autónoma da Madeira".

André Barreto, que já liderou a Ordem dos Economistas na Região, coloca no conjunto das decisões "mais absurdas" a resolução nº 809/2020. Aponta "baterias" ao Governo, mas também não poupa a Mesa da Hotelaria da ACIF, que estará a passar à margem do processo: "Gostei muito do enquadramento pré-decisão da dita resolução, que pretende mitigar os custos referentes aos turistas que testaram positivo e que, por isso, são deslocados para determinados estabelecimentos hoteleiros. E gostei porque, não conhecendo os critérios relativos à escolha das ditas unidades (localização não é porque devemos ser os mais próximos do hospital e connosco ninguém falou), se afirmou que todos concordam com a decisão.

Todos, ponto e vírgula! Eu não concordo mas também não tinha de concordar. Chateia-me é que quem me representa – a Mesa de Hotelaria da ACIF, que desde Março deve estar em tele-trabalho e sem acesso à internet… – ao que sei não tenha estado presente numa suposta reunião que supostamente existiu e que supostamente consubstanciou a afirmação do Senhor Presidente do Governo, onde estiveram (e bem, supostamente, claro) os “big 5”, que pelo peso e relevância se representam a si próprios mas que não estão seguramente mandatados para falar em nome do sector".

Ainda sobre a resolução, questiona: "De quem é a decisão de deslocamento dos turistas Covid seja para onde for? É minha ou das autoridades de saúde? Então e quem decide retirá-los dos hotéis ainda os obriga a pagar? Ficamos sem clientes, sem dinheiro, sem reserva, sem nada? Só espero que as unidades para onde eles vão ser instalados utilizem correctamente, nos seus CRM’s, à posteriori, dados de clientes que não são seus...

Ainda estou a tentar perceber o que significa o limite máximo do total de diárias, uma vez que não se diz expressamente qual é. Não quero acreditar que, perdendo uma reserva de por exemplo 3 noites e ficando o covidiano no tal hotel escolhido sabe Deus por quê 7 noites, eu as tenha de pagar às 7! Às tantas deve ser isso!"

Traz para cima da "mesa" os números do Governo e volta a lançar dúvidas: "Adoro mas adoro mesmo o rigor dos valores! Quem vendeu quartos a 100€, vai pagar a terceiros 141€? E porquê 141€, atendendo a que por exemplo uma das unidades escolhidas se vendia na Booking, pré-pandemia, a 55€? Por quarto! Duplo! Agora até estaria a menos, a julgar pela percentagem de desconto que me “exigem” os meus parceiros mas isso não interessa nada".

E continua, misturando coisas sérias com um humor "refinado" : "Também gosto do custo de 120€ por desinfecção. Tem igual rigor? Se calhar foi o valor apurado pelos nossos representantes que não têm mandato para nos representar. Tudo isto pode ser fruto de uma leitura errada da publicação. Mas são “peaners”, como diz o meu treinador, em face do que é o verdadeiro absurdo da situação. Agora que penso nisso, será que foi o JJ que escreveu a Resolução? Explicava tanta coisa..."

Neste escrito na sua página do Facebook, André Barreto lembra o primeiro-ministro britânico: "O Sr. Boris Johnson, para ir buscar mais um exemplo, vai pagar a alguém pelas reservas canceladas fruto da decisão de proibição de viagens de lazer? Ou ressarcir as pessoas dos prejuízos dessa sua decisão? Não esperem; ele vai não tarda nada é pedir aos hotéis para onde os clientes iam para lhes pagar uma indemnização, por danos e perdas ou assim.

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