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  • Henrique Correia

Idalino abandona política em outubro e lamenta oposição interna do PSD


"Nunca senti o apoio necessário, em vários níveis. Além do ruído, houve algumas personalidades afetas ao meu partido que não ajudaram em nada, pelo contrário, foram mais oposição interna que a própria oposição tradicional"




Esta foi uma das posições fortes de Idalino Vasconcelos nos últimos tempos


No dia em que faz 61 anos de idade, Idalino Vasconcelos, o presidente da Câmara do Porto Santo, anuncia que não se recandidata nas próximas autárquicas e diz mesmo que, em outubro, marca o fim da carreira política. Um momento partilhado primeiro com o Diário e depois na sua página do Facebook. Uma declaração que nos transporta para um estado de alma, um misto de dever cumprido e de mágoa, pela falta de reconhecimento, da população e do partido. "Fui feliz na entrada e vou ser deliz ja saída. Sempre, mas sempre de cabeça erguida".

Um Idalino, simples, como sempre, foi assim que serviu o partido e foi assim que o partido se serviu quando estava esfrangalhado pelas gestões anteriores. Só que, em política, a simplicidade não chega, o tabuleiro do xadrez político exige outros contornos, quase sempre acompanhados pela falta de transparência, reconhecimento e frontalidade que os bastidores desta política ativa alimenta para desativar e descartar pessoas. A falta de memória do eleitorado faz o resto.

É mais ou menos isso o que diz Idalino quando faz o retrato do que se passou: "Tenho a convicção que dei e demos o nosso melhor, mas também posso afirmar que nunca senti o apoio necessário, em vários níveis. Além do ruído, houve algumas personalidades afetas ao meu partido que não ajudaram em nada, pelo contrário, foram mais oposição interna que a própria oposição tradicional, que ao logo deste meu mandato, optaram por criticar silenciosamente, minando a própria opinião pública. Alguns militantes e simpatizantes, por fatores que não são totalmente claros, nunca reconheceram em mim a capacidade de liderar, apesar de todas as medidas que tomamos. Em função das variáveis, com as quais trabalhei, foi humanamente impossível fazer mais ou melhor com os recursos que tinha à minha disposição, mas engoli sapos bem verdes, porque acreditei que havia boa vontade, o que nem sempre houve. E quem está por fora, nem sempre vê isso, o que é lamentável.

O presidente da Câmara acrescenta: "Saio, no final deste mandato, com a convicção que agi de forma íntegra, correta, justa e honesta. Combati um bom combate e vou dar por terminada a minha carreira política, em outubro. Guardo em mim, todos os bons momentos e as amizades que cultivei, guardo em mim, aqueles que me ajudaram, mas também guardo para mim, todos aqueles que me prejudicaram ao longo da minha vida política, em especial neste mandato. Não vou sair magoado com ninguém, mas vou sair com a consciência tranquila e limpa, pois fui justo e correto e trabalhei de forma franca", escreve Idalino.

Diz mais: "O meu trabalho está feito. Há mais vida para além da política e de presidente da Câmara. Por isso, o Porto Santo não pode andar para trás e é com sentido de responsabilidade que, em função do que está à minha frente, estou de saída com a consciência de missão cumprida. Estou certo que o PSD irá encontrar as melhores soluções, para o Porto Santo. Não serei parte do problema, serei sim, parte da solução, porque amo a minha terra. Qualquer militante do PSD tem de estar disponível para os desafios que lhes forem colocados. É preciso escolher os melhores, para que o poder não caia nas mãos de qualquer um. Um presidente tem de ser justo e correto e sem querer para si o que é dos outros. O progresso do Porto Santo não pode ser ofuscado por interesses pessoais e tem de trabalhar, de forma construtiva, com o Governo Regional. Só assim esta ilha vai para a frente". Idalino afirma ter "plena consciência que em política, o reconhecimento não é imediato. Mas é certo que com pouco fizemos muito e tenho a certeza que iremos continuar a colocar o Porto Santo no lugar que merece. Adiamos algumas situações que podíamos ter feito melhor. A razão, nem sempre, esteve sempre do meu lado e por isso afirmo que o nosso trabalho foi digno...No entanto, tenho consciência que a população não compreendeu o nosso trabalho e as medidas tomadas. Julgo que houve incompreensão, também devido ao desgaste da pandemia, mas fruto de outros fatores, que não dependeram diretamente de nós. Ao longo do mandato houve, permanentemente, uma intoxicação da opinião pública, por vários atores, que contaminou severamente a perceção do nosso trabalho, talvez devido à tal incompreensão que referi. Este fenómeno pôs em causa o trabalho sério que se realizou, trazendo muita poeira e ruído que prejudicou claramente o exercício do meu mandato." Idalino Vasconcelos lembra que "consolidamos o nosso endividamento, temos uma autarquia financeiramente saneadas e com as contas em dia, completamente diferente do que aquela que encontramos quando entramos em 2017. Pela primeira vez, o saldo de gerência (1,5M€), que acaba de ser aprovado pela Assembleia Municipal, e será utilizado para investimento e não para pagamento de dívidas. Estive acompanhado por uma equipa constituída por pessoas extraordinárias, competentes e íntegras, que deram de si, para esta causa e que merecem o meu justo reconhecimento. É meritória uma palavra especial ao meu vice-presidente, Pedro Freitas, à vereadora Sofia Santos, ao meu chefe de gabinete, Élvio Sousa, os meus chefes de divisão, Dinarte Silva e Ana Bela Santos, aos secretários José António Vasconcelos e Vânia Ornelas. Eles foram fulcrais, todos os dias, que me apoiaram sempre, nas minhas tomadas de decisão. A eles deixo o meu reconhecimento e agradecimento, bem como aos colaboradores do Município do Porto Santo. Tudo funciona quando somos uma grande equipa".

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