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  • Henrique Correia

Idalino usa voto de qualidade para travar Castro: não há dinheiro e há pouco Estado

Empate de votações na Câmara do Porto Santo é sempre vitória para o PSD

O voto de Idalino valeu por dois no Porto Santo. Agora, vale sempre e a situação é deveras insólita, embora legal. E por isso as propostas do vereador José Antonio Castro foram chumbadas apesar do empate 2-2 em reunião de Câmara. A ausência da vereadora independente, "dissidente" do PS, que está em regime de baixa médica, acabou por resultar numa situação pouco habitual. Idalino e o vice votam de um lado, Castro e Menezes de Oliveira votam do outro. Enquanto não for resolvida a situação, será assim. Mas a Câmara não pode ficar mum impasse.

É verdade que as propostas de Castro eram ambiciosas. Entre elas, o pagamento das mensalidades nas creches e jardins de infância, pagamento e oferta de materiais/manuais escolares ao longo de toda a escolaridade obrigatória, compra de tablets e hotspots pela Câmara para constituir uma bolsa a ser disponibilizada pela autarquia aos alunos do 1.º, 2.º e 3.º ciclos do Ensino Básico para garantir o acesso a manuais digitais e ensino à distância, pagamento de propinas aos estudantes universitários portossantenses e  criação de uma “bolsa de formação” para apoiar desempregados e trabalhadores sazonais. Tudo chumbado.

As razões do chumbo também são válidas: não há dinheiro. E não há, argumenta a gestao camarária, porque "o Orçamento de Estado discrimina o Município do Porto Santo face a outros Municípios do país e da Região, comparando a verba transferida com o número de habitantes. Por exemplo, o Porto Santo, com 5176 residentes, recebe do Estado 1,687M€ quando o Corvo, com 465 habitantes, recebe os mesmos 1,637M€ ou o Porto Moniz.

O “Mais Porto Santo” é sensível a estes argumentos mas entende que esta rejeição é a prova de que a autarquia liderada pelo PSD está de costas voltadas para as famílias no regresso à Escola e para os trabalhadores sazonais, sobretudo da hotelaria e da construção civil, que ficarão sem trabalho após os três meses de verão (julho, agosto e Setembro). O movimento Mais Porto Santo questiona: é assim que a maioria de conveniência social-democrata que lidera os actuais destinos da Câmara do Porto Santo quer incentivar a natalidade? É assim que quer fixar população no Porto Santo? Também preocupante, diz Castro, é a rejeição da criação da “bolsa de formação”. É a segunda vez que o “Mais Porto Santo” leva à reunião de câmara a ideia de criação deste apoio aos desempregados. É a segunda vez que a proposta é rejeitada.  Com esta rejeição, mais uma vez, a Câmara do Porto Santo nega aos mais de 400 portossantenses, sobretudo da área da hotelaria e da construção civil, trabalhadores sazonais de vínculos precários, e que não têm condições de aceder ao subsídio de desemprego, a possibilidade de auferir algum rendimento".

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