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"Implosão" em São Vicente: CHEGA lá e é isto...

  • Foto do escritor: Henrique Correia
    Henrique Correia
  • 9 de mar.
  • 3 min de leitura



O problema é a diferença entre o que se diz que vai fazer quando lá chegar, outra coisa é fazer quando se chega lá. O que fazer com os votos que o povo dá para mudar e não para ser igual...



O que se passa na Câmara de São Vicente, que recentemente começou a ser governada pelo CHEGA, é o exemplo do que falta de consistência em algumas alternativas que vão passando pela história da Autonomia e que reforçam as explicações sobre a hegemonia que o PSD tem conseguido na Região, mesmo que no Poder Local existam situações bem sucedidas em Santa Cruz, Machico, Santana e Porto Moniz, protagonizadas pelo JPP, PS e CDS, que no entanto ainda não conseguiram transpor esse voto de confiança para as Regionais.

Quando São Vicente votou CHEGA, não foi particularmente por ser o CHEGA, mas por pretender penalizar o PSD, que fez asneira da grossa com candidatos mandados pela Quinta Vigia. Mas penalizar o PSD implicava "picar" o PSD com uma radicalização, ao mesmo tempo que o povo não se revia nas opções dos outros partidos, como por exemplo o PS. O CHEGA é que barafusta, o CHEGA fala como o povo e com aquilo que o povo gosta, logo era a opção mais acertada para o CHEGA acabar com a política de favorecimento contra a qual o partido de André Ventura pregava aos "sete ventos".

O problema é a diferença entre o que se diz que vai fazer quando lá chegar, outra coisa é fazer quando se chega lá. O que fazer com esses votos. De repente, governar fia mais fino, de repente dar credibilidade fica difícil, de repente os quadros do CHEGA, normalmente recrutados noutros partidos, começam a vacilar, de repente falta a maturidade política e a própria política, de repente um vereador do CHEGA vota contra o CHEGA e de repente o presidente chama a si todos os pelouros, de repente o CHEGA fica igual à mediocridade, não faz diferente, faz igual ao que tem feito o CHEGA em Câmaras Municipais, como no Funchal onde os eleitos passaram a independentes. De repente, a alternativa, sempre bem vinda e com a "frescura" do gesto do povo num contexto de domínio do PSD, torna banal um feito, torna inconsequente o voto e põe em causa a diferença que, afinal, faz pouca diferença dos outros e torna tudo tão igual que os votos acabam por ir para aquele que tem mais experiência de igual. É provavelmente o que vai acontecer se houver intercalares, que é o que parece mais certo.

A primeira notícia foi do JM, pela manhã, sendo que pela tarde o mesmo matutino publicava parte de um Edital confirmando esta realidade preocupante em tão pouco tempo de gestão:

"A revogação com efeitos imediatos do despacho de distribuição de pelouros feito pelo Exmo. Sr. Presidente aos Exmos. Srs. Vereadores Helena Paula Barbado de Freitas e Fábio de Freitas Costa através do despacho 98/2025, datado de 5 de novembro de 2025, publicitado no edital n.º 227/2025, de 5 de novembro de 2025 e no Boletim Municipal da Câmara Municipal de São Vicente n.º 11/2025, de novembro de 2025 reassumindo o Presidente da Câmara a plenitude dos mesmos, passando os Vereadores Helena Paula Barbado de Freitas e Fábio de Freitas Costa a ficar sem quaisquer pelouros atribuídos até ao final do mandato”.

E pronto. Continua a fazer-se o percurso de 50 anos de Autonomia da Madeira e de hegemonia do PSD. Com o PS a procurar um rumo que tarda em consolidar e havendo pequenos esboços de mudanças locais, a que o CHEGA se juntou para supostamente acabar com o que está mal.

Mas a destruir por dentro, fica dificil....



 
 
 

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