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  • Henrique Correia

Inacreditável: idosos não podem ver a família mas podem ir votar, pede a CNE



Ninguém quer saber das eleições, ninguém compreende que mandem ficar em casa aos fins de semana, no continente a partir das 13 horas e na Madeira a partir das 18 horas, mas no fim de semana das eleições toda a gente possa sair para votar



Inacreditável. Como se não fosse suficiente o regime de estado de emergência colocar à parte a atividade política, do género ninguém pode fazer mas a política pode, o que é difícil de entender num contexto de pandemia, e ainda vem a Comissão Nacional de Eleições apelar a uma organização dos lares no sentido de possibilitar o voto dos idosos a 24 de janeiro nas eleições presidenciais.

Vamos ver se entendemos bem: os idosos, 100 mil no país, estão nos lares, representam uma faixa de risco elevado no âmbito da Covid-19, não recebem visitas, estão privados de contacto com familiares, o que naquela faixa etária ganha uma dimensão enorme, e vem a CNE dizer que se organizem para que a 24, dia provavelmente de "folga" do vírus, porque a emergência diz isso, exerçam o voto mas com deslocação às mesas e não através, por exemplo, da deslocação das urnas aos lares, que seria muito mais prudente. Isto, se quem é pago para pensar pensasse mesmo, o que parece não ser o caso.

Para falar verdade, nem deveria haver eleições nesta altura. Claro que a Constituição não permite, tem a ver com mandatos e qualquer alteração de adiamento teria implicações de revisão constitucional, que em termos processuais e de tempo, torna-se praticamente impossível.

Mas estas eleições, com um quadro pandémico grave, com média de 10 mil infetados por dia e hoje a ultrapassar 100 mortos em 24 horas, com medidas de restrição para os fins de semana, menos o das eleições, assumem papel secundário, estou mesmo convencido que terá abstenção recorde.

Porque ninguém quer saber das eleições, ninguém compreende que mandem ficar em casa aos fins de semana, no continente a partir das 13 horas e na Madeira a partir das 18 horas, mas no fim de semana das eleições toda a gente possa sair para votar, sem restrições de circulação entre concelhos nem nada. Muito interessante. Porque em emergência, em confinamento, é permitido, a quem manda, manda interromper o confinamente para desconfinar no voto. Estão mesmo a pedir um confinamento às urnas, se isso não representasse um perigo de eleição de um qualquer "trumpista".

Vamos ter eleições a 24. Com esta Democracia, com esta Constituição e com esta CNE que faz o seu papel. Mas alguém de bom senso dê uma palavrinha à Comissão Nacional de Eleições e diga, nem que seja ao ouvido e devagarinho, que estamos em pandemia.

Não sei se vão perceber, mas não podem dizer que não foram avisados.


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