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  • Henrique Correia

Jardim "desenterra" quotas pagas por "grosso" no PSD-M e fala em "segundas linhas ávidas de poder"

O antigo presidente do PSD-M e do Governo Regional aponta ao Congresso Regional de novembro próximo para lembrar que ainda haverá gente com quotas pagas pelo "processo agora finado"



Jardim não "assobia para o lado" e vai direto ao que considera "segundas linhas ávidas de poder" no PSD-Madeira


Alberto João Jardim "desenterrou" um tema que gerou grande polémica nas últimas diretas nacionais do partido, em janeiro deste ano, o pagamento de quotas do PSD Madeira e o sistema em vigor no PSD nacional, precisamente revisto por Rui Rio, que segundo a direção nacional eram incompatíveis com a transparência e distorciam a realidade regulamentar do partido, colocando os militantes da Madeira em situação diferente dos restantes das estruturas do País.

Na Madeira, sempre foi possível pagar em dinheiro, na sede, e um podia pagar por muitos, acontecia, ainda que essa situação estivesse prevista e era prática corrente. Rio viu isso, considerou haver uma falha que poderia colocar em causa a sua eleição, e abandonou esse sistema. Os militantes deixaram de poder pagar em dinheiro vivo, nas sedes partidárias, e passaram a ter que proceder ao pagamento por multibanco, vale postal ou MB Way, mediante o envio de um código de pagamento para o telemóvel de cada um". Menos riscos de certas habilidades eleitorais internas. Mas na Madeira, continuava assim.

Albuquerque argumentou que sempre se fez assim, o PSD-Madeira dizia que estavam em condições de votar 2.500 militantes, o PSD nacional dizia que não passavam dos 104 em condições legais de voto. E "estalou o verniz" entre as estruturas regional e a nacional. Os votos da Madeira não foram contabilizados e a tensão aumentou.

Na altura, Rui Rio lembrou que as normas nacionais permitiam identificar "a proveniência do dinheiro" e evitar os pagamentos maciços de quotas por uma única pessoa, mesmo reconhecendo que este novo sistema, sendo mais transparente, não está isento de ser passível de contornar. Rio disse, e com razão, que os partidos políticos "não podem ser financiados por dinheiro vivo".

Acontece que Alberto João Jardim, que foi líder do PSD-Madeira e sobre o qual já tinham existido algumas acusações de permitir precisamente esta fórmula de pagamento de quotas, de militantes que deixavam de pagar e depois regularizavam pagamentos em atraso, de forma alargada, aquando da proximidade de novas eleições, veio na altura a público insurgir-se sobre o que considerou de "chapeladas", Jardim apoiava Rio, esclareça-se, assumindo neste caso uma posição contrária à da liderança do PSD Madeira, de Albuquerque.

Hoje, nas redes sociais, Jardim voltou ao tema para nova "farpa" para o interior do partido na Região, o que para quem defende uma conjuntura de unanimidade das diferentes correntes do PSD-M, expressa um indicador contrário, como de resto já pudemos constatar nas recentes posições de aviso, tanto de Albuquerque como de José Prada, relativamente a eventuais posições críticas internas. Mas Jardim foge a isso tudo, tem estatuto e esse "silêncio" que se pede é para outros. E por isso, deixou a seguinte mensagem, com direção para "segundas linhas ávidas de poder". Forte, sem dúvida, sobretudo para essas segundas linhas e para as primeiras que permitem as segundas.

Jardim diz, concretamente: "PSD Madeira, bem, assumiu processo nacional de pagamento de quotas...Fim das chapeladas que desprestigiaram no País. No Congresso de novembro, ainda haverá gente de quotas pagas pelo processo agora finado...consolo dos "mecenas", segundas linhas ávidas de poder".

Se isto não é aviso para algumas tendências dissonantes dentro do PSD, parece que anda lá perto.

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