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  • Henrique Correia

Jardim levanta o "véu" de novos partidos para resolver os "infiltrados"


"Não pode a Democracia continuar assim. Tem de acontecer algo diferente. Partidos em moldes novos. Extrair lição dos erros, dos facilitismos e das utopias"




Alberto João Jardim voltou hoje a falar da nova organização interna dos partidos, do desvirtuar de princípios e da corrida aos militantes feitos à pressa, por parte das respetivas lideranças, uma situação que em sua opinião substitui os valores de princípios pelos valores de influências. Uma tese que o antigo presidente do PSD Madeira vem defendendo, não obstante este quadro de interesses já fosse praticado por muitos dos seus companheiros de percurso, provavelmente sem a "navegação à vista" do momento, mas com consequências de benefícios corporativismo em função do que estava em jogo.

MOs partidos, incluindo a estrutura regional do PSD-Madeira, com Jardim ou sem Jardim, são circuitos fechados de influência, onde não se pode esperar total transparência num contexto de influência e de atitudes corporativas. Quando não é pior. Uma coisa é o exercício político, outra coisa é o exercício político partidário. Confundem-se quase sempre, para não dizer sempre. Não raras vezes, é preciso ter em conta que a correspondência entre o exercício dos partidos de poder e a verdade ligada ao interesse da comunidade, não se ligam de modo a entendermos a ação partidária em função do bem comum. Pode coincidir, em alguns casos, mas na generalidade não é assim, sobretudo os partidos do chamado "arco do poder", cuja dimensão convida a uma oferta aliciante num quadro de influências e de lugares. Os pequenos acenam com causas, os grandes acenam com cargos. Mas é diferente há muito tempo, a diferença é que já nos habituámos com isso e ao povo falta serenidade e força anímica para contrariar esta nova teia interesses em que a ilegalidade está legitimada pela legislação à medida e a imoralidade está regulamentada.

Mas mesmo assim, há opiniões e opiniões. A de Jardim, que atrás de si tem uma ação politica de mais de 40 anos, uma ação política sempre muito intensa, tão intensa que não estava à espera dos processos internos do PSD-M, que resultaram na sua saída, em 2015. Com Albuquerque, jardinista desde sempre, a protagonizar uma rutura da máquina que, ele próprio, alimentou, também desde (quase) sempre.

Mas Jardim, ainda hoje, não perde uma oportunidade para "picar" o PSD-M. E aquilo a que podemos chamar de "franja política digital" do partido.

Hoje, no habitual artigo publicado no JM, Jardim escreve que se retrocedeu "do Partido de Causas para o Partido Corporativo". Diz que este, o partido corporativo, "é uma organização, não de combate ideológico pela afirmação de Valores, mas onde muitos se instalam a pensar principalmente nas vantagens pessoais que poderão obter para si ou para os grupos de pressão que servem.

Pior. Trata-se de “estratégias”, individuais de grupos de pressão, que vão ao ponto de aproveitar e de instrumentalizar os Estatutos dos Partidos, para a Estes dominarem interiormente. Onde nem sequer falta o recurso a mecenatos pouco ou nada recomendáveis, para recrutar, inscrever e pagar as quotas partidárias a uns indigentes mentais que lhes façam o jogo".

Neste quadro, Jardim considera que "não pode a Democracia continuar assim.

É inaceitável em absoluto. E é perigoso. Sobretudo porque os inimigos da Democracia estão a se aproveitar, a se infiltrar e a lançar a confusão e a mediocridade.

Tem de acontecer algo diferente. Partidos em moldes novos.

Extrair lição dos erros, dos facilitismos e das utopias que trazem a esta substituição dos Partidos de Causas por Partidos corporativos".

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