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  • Henrique Correia

Jardim "surpreende" com escrito sobre propostas da oposição nas autarquias


O ex-presidente do Governo quer mudar autarquias que "recusam iniciativas à Oposição, para depois a maioria aprová-las como suas"




Não tem sido uma prática corrente da democracia na Madeira, sobretudo em contextos de maiorias absolutas, quer na governação regional, quer na local. São poucas as propostas que passam das oposições, são vários os exemplos de propostas chumbadas que depois são transformadas em decisões das respetivas lideranças governativas. E é claro que aconteceu mais com o PSD, pela simples razão que o PSD esteve mais tempo no governo e mais tempo na liderança das autarquias. Criou "raízes". É uma postura política dominante de poder e não propriamente de partido, tirando os vícios que uns foram ganhando pelo tempo de "maturação" a mandar, muitos deles continuam o seu percurso "polidamente" diferente.

Mas o mais curioso, para quem tem memória e conhece a história, é a posição assumida pelo Dr. Jardim, antigo presidente do PSD-Madeira e do Governo, de sucessivas maiorias absolutas, hoje expressando algumas posições públicas, no recém assumido, por si, mundo online, das redes sociais, o que há uns anos seria impensável. Mas Jardim tem hoje, no Facebook, uma posição muito curiosa sobre as propostas da oposição, sendo que nos tempos recentes, no poder autárquico em muitos concelhos, oposição significa PSD. Invertem-se os papéis e as visões passam a ter contornos diferentes. Escreve certamente para as câmaras onde o PSD é oposição, mas corre o risco estatístico se for aplicado o mesmo patamar em Câmara de Lobos e Calheta, de maioria absoluta social democrata. Ali a oposição é outra.

Jardim escreve a dizer que é preciso "MUDAR as Autarquias que:

- recusam iniciativas à Oposição, para depois a maioria aprová-las como suas

-com dinheiros públicos compram votos para prolongar os pobres na sua dependência

-depois exigem aos contribuintes de toda a Madeira que lhes paguem as despesas obrigatórias".

Não sabemos onde Jardim foi rebuscar esta "inspiração", mas num contexto de profundas mudanças autárquicas, operadas desde há alguns anos, é natural que as opiniões tenham sofrido, também, algumas mudanças. Uma vez político, sempre político. É Jardim igual a si próprio. Sempre a surpreender desde o seu gabinete no Quebra Costas.

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