Lidl vai à Câmara mas é dificil reverter decisão sem alguém perder a "face"
- Henrique Correia

- 12 de out. de 2022
- 2 min de leitura
Lidl na Cruz Vermelha volta para cima da mesa. Mas é muito difícil, a um decisor político, criar impedimentos a um investidor de 100 milhões. Com todas as "sinergias" e "parcerias" de "interesses" que traz como apoio.

Soube-se hoje, pelo Diário, que na segunda-feira haverá uma reunião entre responsáveis do grupo Lidl, o presidente da Câmara Pedro Calado e o vereador responsável pelo Urbanismo João Rodrigues. A reunião, por si só, é compreensível em função do investimento que a rede de supermercados pretende trazer para a Madeira, para a cidade do Funchal, onde tem três projetos já aprovados, mas um já teve dois chumbos e a última palavra é que o Lidl no edifício da Madeira Wine, no Largo da Cruz Vermelha, não vai mesmo avançar.
Mas é mais do que claro que o assunto vai voltar à mesa das negociações e o grupo investidor promete trazer "coisas boas" para ir ao encontro do PDM e resolver as certezas de João Rodrigues ao chumbar um super ou hipermercado naquela zona, no que foi apoiado pelo presidente da Câmara . Ali, com a movimentação de camiões e todo o movimento que envolve um hipermercado, o trânsito, que já é caótico em algumas parte do dia, ficaria um caos permanente. O Plano Diretor Municipal não permite.
Mas a verdade é que neste processo, por muito que se pretenda achar tudo nornal, houve um pouco aquela expressão do "carro à frente dos bois". O Lidl comprou os armazéns da Madeira Wine sem saber o que prevê o PDM? O Lidl não vende sofás nem colchões, é uma rede de supermercados e comprou para instalar um supermercado grande numa zona privilegiada da cidade. Fez o negócio com o grupo Blandy e só depois é que viu se podia fazer? É difícil de aceitar esse comportamento, quase inconsciente, de um investidor desta dimensão. Houve qualquer "sopro" de garantia que depois não contou com o vereador do Urbanismo. Nem contou, ou não sabia, que João Rodrigues é como se fosse Pedro Calado. O presidente não vai desautorizar o vereador. Pelo menos que pareça isso publicamente, uma vez que se isso acontece João Rodrigues "bate com a porta".
Claro que esta reunião de segunda-feira, passada para os jornais com a devida antecedência para ir "trabalhando" sensibilidades, além de haver o resto da semana para apurar "apalpar" terreno em matéria de reações, surge num contexto em que o edifício da Madeira Wine tem que ter uma solução e o Lidl tem que ter uma última palavra da Autarquia, acreditando que as contrapartidas que vai dar possam reposicionar os decisores para uma decisão favorável. Ou sair dali uma outra solução e um outro projeto, também é possível.
Mas há uma realidade indesmentível. Seja o que for que aconteça, qualquer decisão contrária à já tomada, significa que alguém perderá a "face" neste processo por muito camuflada que seja a decisão e por muito que as adaptações de construção possam ir ao encontro do que prevê o PDM. É sempre muito difícil, a um decisor político, criar impedimentos a um investidor de 100 milhões. Com todas as "sinergias" e "parcerias" de interesse que traz como apoio local Sobretudo numa conjuntura em que o poder económico tem o peso de liderança dos pesos em Portugal. E na Madeira nem se fala...



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