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  • Henrique Correia

Madeira não deve ter medo de reconhecer a emergência do consumo de novas drogas


José Manuel Rodrigues disse tudo o que tinha a dizer: "Até setembro deste ano, 40 por cento das admissões na Unidade de Agudos da Casa de Saúde São João de Deus foram de doentes com patologias relacionados com o consumo de drogas".




O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira voltou a desenvolver uma intervenção sem "panos quentes" e não deitando para debaixo do tapete um problema que a pandemia agravou, o consumo de novas drogas.

José Manuel Rodrigues esteve presente na Jornada de Reflexão sobre substâncias psicoativas, promovida pela PJ, mostrando-se, hoje, preocupado com a gravidade da disseminação das novas drogas na nossa sociedade madeirense. Na “Jornada de “Reflexão sobre Novas Substâncias Psicoativas (NSP) na Região Autónoma da Madeira – Conhecer, intervir, prevenir, enfrentar”, da Polícia Judiciária na Madeira, José Manuel Rodrigues referiu que “a pandemia potenciou os consumos de estupefacientes e a verdade é que, na Madeira, por razões que serão com certeza escalpelizadas ao longo deste dia, o consumo destas novas drogas cresceu, grandemente, seja como droga de substituição seja como primeira droga, experimentada por novos consumidores”. Referiu que as estimativas para a Região referem que “o consumo destas novas substâncias psicoativas é quatro vezes superior ao registado no país”.

“Há um número que exemplifica a gravidade do problema: até setembro deste ano, 40 por cento das admissões na Unidade de Agudos da Casa de Saúde São João de Deus foram de doentes com patologias relacionados com o consumo de drogas”, revelou o Presidente do Parlamento madeirense.

“Dessa percentagem, equivalente a 155 pessoas, a maioria jovens, a quase totalidade era consumidora das novas substâncias psicoativas e muitos foram internados compulsivamente, uma tendência que tem vindo a crescer de forma acentuada”, referiu.

Como refere uma publicação no site do Parlamento, o presidente da Assembleia disse que "a Madeira enfrenta uma emergência social, e não deve temer o reconhecimento deste facto, pois esse é o primeiro passo para conhecer e enfrentar o problema e reduzir o seu impacto em toda a nossa sociedade, já que este atinge desde o consumidor jovem às famílias, às escolas, aos serviços de saúde e à segurança pública”.

Nos últimos 11 anos apareceram em Portugal 102 novas substâncias psicoativas (NSP), entre as localidades de novos surgimentos constam a Madeira e os Açores. As ilhas são as regiões do país onde o problema dos consumos de novas drogas é maior, a seguir a Lisboa e Porto".

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