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  • Henrique Correia

Madeira poderá ser decisiva na eleição do novo líder do PSD; visita de Rio "diz" isso



Porto, Braga, Área Metropolitana de Lisboa e Aveiro representam mais de 65% dos militantes social-democratas ativos.




Enquanto o País já pensa no Natal e no final de ano, o PSD meteu-se por caminhos tortuosos com uma eleição interna que praticamente antecede, em cerca de dois meses, as eleições legislativas nacionais antecipadas de 30 de janeiro. E é perante este quadro que o PSD quer enfrentar o PS e António Costa, com o líder socialista assistindo de bancada a esta "balbúrdia" social democrata.

Temos Rui Rio, o atual presidente. Temos Paulo Rangel, eurodeputado. E temos a Madeira que dá liberdade de voto. Uma estratégia bem pensada por Miguel Albuquerque, que não quer criar atritos com a futura liderança do PSD e, quem sabe, do Governo central.

O DN nacional lembra hoje que a distrital da Madeira "vale mais votos que Viseu, ou Faro, ou Setúbal, ou Santarém, ou Guarda, ou Bragança, ou Viana do Castelo, ou Évora, por exemplo, que vale para aí 500 ou 600 votos". E num contexto de equilíbrio entre Rio e Rangel, a Madeira poderia ter um peso que não está à espera.

Diz aquele jornal que há uma preocupação de neutralização de Rangel, que na Madeira tem como mandatário Rui Abreu, um "braço direito" de Miguel Albuquerque, que esteve com o líder na Quinta Vigia e era secretário-geral do partido, mas hoje é diretor regional das Comunidades e sem o peso de outrora na máquina social democrata, cujo secretariado e neste momento liderado por José Prada, um homem que segura as bases e dá o equilíbrio que o PSD-M necesssitava.

Do outro lado está Rui Rio, com o apoio da experiente "velha guarda", cujo mandatário é Pedro Coelho, uma figura igualmente de peso, mas ao contrário de Rui Abreu, Coelho traz alguma influência mas sobretudo traz resultados eleitorais diretamente por sua influência, é daqueles que vai a votos e ganha, no seu concelho, Câmara de Lobos, mesmo com o PSD em baixa. E depois, além disso, Rui Rio tem o apoio de Jardim, um apoio de peso, que tem andado a mobilizar militantes.

O DN nacional sublinha que "a quota de quase 13% de militantes ativos nos Açores cai para pouco mais de 1% com quotas pagas e, por isso, com direito a votar. Na Madeira o tombo é menor: de quase 11,7% para quase 5%. A diferença reflete-se no ranking das distritais com maior peso eleitoral. Os madeirenses assumem a 6.ª posição, enquanto os açorianos caem para o fim da tabela, na 18.ª posição. Traduzido em números, dos 10.792 militantes do PSD/Açores só cerca de 500 podem votar; dos 9754 do PSD/Madeira quase 1700 [há uma expectativa local de que se alcance os 2000] podem "influenciar a escolha nas eleições diretas" de 27 de novembro".

O mesmo jornal acrescenta que "Açores, Porto, Braga, Área Metropolitana de Lisboa e Aveiro representam mais de 65% dos "militantes social-democratas ativos, com pelo menos uma quota paga nos últimos dois anos".

Há um desfasamento relativamente às quotas pagas e aos critérios, nos Açores, continente e Madeira, que legitimam os que estão em condições de voto, esperando-se que estas eleições tenham uma mobilização maior face ao que está em jogo no futuro do partido. O DN Lisboa falou com José Prada e com o antigo deputado da Assembleia da República, o de já foi vice presidente. Prada diz, a DN, que "é obrigatório ter as quotas em dia para eleger ou ser eleito", explica José Prada, secretário-geral do PSD/Madeira. E até o conceito de militante ativo é diferente do continente. "Aqui são três anos, em lugar dos dois do PSD nacional." Guilherme Silva, deputado social-democrata eleito pelo círculo eleitoral da Madeira entre 1987 e 2015, entende este "desfasamento" como consequência de "uma fase antiga na vida do PSD/Madeira, onde não era exigido quotas em dia para se ter direito a participar. Ficou, diria, uma tradição enraizada, um descurar ao longo do tempo. Faz falta talvez uma pedagogia que corrija esse desfasamento".

Recorde-se que Rui Rio vem à Madeira neste período de campanha. Uma exceção, diz. Ou o reconhecimento de que os votos da Madeira poderão ter peso. Rio já disse que não faz campanha interna para não dar trunfos a António Costa e para preparar bem a campanha para 30 de janeiro. Mas o que Rio não explica é esta diferença de empenhamento se primeiro deve ganhar internamente para depois ser candidato a primeiro-ministro. Um aparente contrasenso.

Na Madeira há uma realidade que não pode estar dissociada das eleições internas de 27 de novembro no PSD. Rangel é o lado "passista" e isso obviamente faz Alberto João Jardim "cerrar os dentes" e lutar para que esse passado de Passos Coelho, representado na Madeira por Miguel Albuquerque, não regresse através de Rangel. Ba Região, Passis Coelho tem "raizes" em Albuquerque, em Rui Abreu e na ala que teve o "dedo" num certo afastamento mal "digerido" de Jardim em 2015.






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