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  • Foto do escritorHenrique Correia

Maioria só não chega, é preciso ser "absoluta"




Percebe-se a razão que leva Albuquerque a pedir uma maioria absoluta, no mínimo 24 deputados. Que neste momento tem, mas por via da coligação e não por ter recebido, sozinho, votos para isso em 2019, onde se ficou pela maioria relativa.




Quando Miguel Albuquerque diz que a maioria não está garantida, uma mensagem passada insistentemente nos últimos dias deste período de pré campanha para as eleições regionais de 24 de setembro, está a referir-se à maioria absoluta e não à maioria relativa ou simples conforme queiram chamar, uma vez que nos seus horizontes estará garantida esta maioria de ter mais votos. Outras contas são os mandatos, que são a essência destas eleições legislativas regionais para mais quatro anos. Sabemos que uma parte significativa do eleitorado não sabe a razão do voto a 24 de setembro, vota para Albuquerque ou para outros líderes, não vota com o sentido de escolher deputados e nem os conhece, salvo raras excepções dos que são mais mediáticos. Nada de novo, como no tempo de Jardim, até para as presidenciais muitos eleitores votavam no candidato que Jardim apoiava e nem sabiam quem era, como de resto foi alvo de várias reportagem e eu próprio, enquanto jornalista, tive várias experiências do género em contacto com as populações. É a política e a dialética com o eleitorado. É preciso conhecer o círculo e suas especificidades.

Voltando à maioria, pode pareder igual falar de diferentes maiorias mas não é. E Albuquerque também não faz distinção e devia, mesmo que possamos inferir que se refere a metade mais um como objetivo principal.

De facto, a maioria absoluta refere-se ao número total de elementos mais um, sendo que no caso das eleições na Madeira significa que a coligação Somos Madeira manteria, no mínimo, o que já tem, ou seja 24 deputados em 47. Já a maioria relativa ou também maioria simples refere-se "apenas o conjunto que tem maior número de elementos, independentemente de este ser igual, superior ou inferior a metade.

Claro que apesar dessa diferença não estar explícita na palavra maioria utilizada pelo presidente do Governo em pelo menos duas entrevistas, a verdade é que Miguel Albuquerque pretende obviamente a maioria absoluta, mas acima de tudo está a "provocar" o eleitorado para evitar eventuais surpresas resultantes do comportamento que nestes casos pode dominar o universo laranja relativamente ao sentimento de vitória antecipada. O líder social democrata está consciente das dificuldades de afirmação por parte do principal partido da oposição, mas tem receio da dispersão de votos por partidos emergentes, designadamente JPP e Iniciativa Liberal, sendo que, mesmo os considerados mais pequenos, exceção para a IL, protagonizaram episódios de divisões internas que só reforça a retórica de fragilidade na alternativa. De facto, os partidos que se apresentam como candidatos a incomodar a coligação "Somos Madeira" deixaram transparecer críticas internas e problemas quando menos se esperava. Na Madeira, quem quer ser alternativa ao Governo não pode ter o mínimo descuido e mesmo fazendo tudo bem feito pode não ser suficiente.

O PS-M tem feito uma campanha muito normal, sem inovar, joga pelo seguro, mas falta-lhe marcar a diferença na estratégia de campanha, o que retrai o efeito do discurso. A feitura das listas ignorando os autarcas em final de mandato, não foi uma decisão feliz e funcionou mais como trunfo de propaganda do PSD/CDS. O JPP teve a demissão do líder Filipe Sousa, o PPAN registoi o afastamento do cabeça-de-lista, o Chega com processos em tribunal, enfim( só escapou a IL, o Bloco, o PCP...sobretudo estes.

No fundo, Miguel Albuquerque vê uma oportunidade da sua vida política, conseguir o que Jardim conseguiu e afastar de vez o facto de o PSD Madeira ter perdido a maioria absoluta, pela primeira vez, sob o seu comando, em 2019, com a necessidade a obrigar o partido a uma coligação pós eleitoral, com o CDS, agora transposta para um acordo pré eleitoral. Ao mesmo tempo, uma maioria absoluta reduzia uma eventual influência do CDS na avaliação global da votação, porventura com reflexos nas negociações para lugares.

Percebe-se esta pressão sobre o eleitorado por parte de Miguel Albuquerque. Percebe-se a razão que o leva a pedir uma maioria absoluta, no mínimo 24 deputados. Que neste momento tem por via da coligação e não por ter recebido, sozinho, votos para isso.


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