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  • Henrique Correia

Mais pobreza na comunidade foi mensagem ouvida por Berta Nunes na África do Sul


"Não sei quem é que elaborou o programa da visita, que só recebemos à última da hora, mas este foi um programa muito intenso com visitas a mais a muitas instituições", critica José Nascimento


É um problema que vem de longe. Os políticos que têm a tutela das comunidades deslocam-se aos diferentes países onde temos forte representação e cumprem programas definidos por núcleos previamente conhecidos, com interesses envolvidos, numa articulação que, não raras vezes, deixa de fora a extensa comunidade popular e congrega um nicho reduzido de representantes, tendo como resultado que ficam à margem assuntos que preocupam a maioria.

Foi mais ou menos o que aconteceu na deslocação da secretária de Estado das Comunidades, Berta Nunes, à África do Sul, onde, como se sabe, temos uma grande comunidade madeirense. Mas a governante foi sem levar qualquer representante da Região, facto que causou estranheza na comunidade, que teve conhecimento de uma deslocação que assentou, de forma "exaustiva", por visitas sucessivas a varias instituições.

José Nascimento, conhecido advogado com experiência de 35 anos, Conselheiro das comunidades, filho de madeirenses e muito interessado nos assuntos ligados aos problemas da emigração, faz algumas observações e lembra que esta primeira visita da secretária de Estado "não foi acompanhada por um dirigente madeirense como se tinha comprometido anteriormente em relação a visitas a países com grandes comunidades madeirenses.

Não sei quem é que elaborou o programa de visitas, que só recebemos à última da hora, mas este foi um programa muito intenso com muitas visitas a mais a muitas instituições. Talvez nesta primeira visita a secretária de Estado quisesse conhecer melhor as instituições portuguesas, admito".

José Nascimento diz que houve simplesmente duas horas para se dialogar sobre questões e problemas da comunidade, num encontro realizado no Consulado-Geral de Portugal em Joanesburgo. Espero que futuramente haja mais diálogo e menos visitas. Duas horas de diálogo numa visita de dias não é suficiente para tratarmos dos assuntos sérios que enfrentamos".

O Conselheiro luso teve pouco tempo para exposição dos assuntos, mas teve tempo para criticar algumas ordens profissionais, em Portugal, designadamente a Ordem dos Médicos, "que estão na desordem e que protegem interesses pessoais e egoístas em detrimento do bem colectivo e nacional. Acho que tem que haver legislação para pôr as Ordens na ordem, como se faz em outros países, quando estas actuam em detrimento do bem colectivo e nacional".

A razão desta "ofensiva" está no reconhecimento das qualificações de profissionais filhos de emigrantes que querem exercer em Portugal. "Há muitos portugueses, na África do Sul, a quererem voltar a Portugal e para isso os filhos ou os próprios precisam de ter as seus habilitações reconhecidas e receberam equivalência para ingressarem nas escolas, universidades ou nas profissões, o que se torna muito complicado para nós portugueses não residentes. Veja a vergonha que se passa com a falta de reconhecimento dos cursos e qualificações profissionais dos médicos e especialistas vindos da Venezuela"

Outros temas foram a TAP, a falta de um voo da TAP, o agravamento de pobreza e muitos portugueses estão a precisar de apoio social que tem de vir da Comunidade e do governo português. O investimento da Diáspora em Portugal foi outro dos assuntos e tocou-se muito brevemente na falta de representatividade política adequada para 5 milhões de portugueses na Diáspora", refere José Nascimento.

De positivo, diz o Conselheiro, "trouxe a Dra. Maria Cabral das Misericórdias para um futuro relacionamento com as instituições de apoio social na RAS".

Berta Nunes segue hoje para a cidade do Cabo aonde irá encontrar-se com a comunidade num almoço.



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