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  • Foto do escritorHenrique Correia

Mandato de José Manuel Rodrigues deixa Albuquerque "sem defesa"



José Manuel Rodrigues "eliminou" candidatos já há muito tempo e Albuquerque ficou sem outra saída que não seja esta cedência ao CDS.





O líder do PSD Madeira está aquilo a que podemos chamar de "sem defesa" para mudar de candidato à presidência da Assembleia Regional, como exigiam alguns sectores do partido e como recomendaria o valor em votos por parte dos dois partidos, sendo que a cedência ao CDS da presidência do Parlamento, que deveria ter sido do PSD, aconteceu em função do clima de pressão ocorrido depois das eleições de 2019, obrigando Miguel Albuquerque a cedências que permitiram manter o PSD a governar a Região, então com ajuda do CDS.

Mas podia dar-se o caso de José Manuel Rodrigues ter ganho o cargo por pressão negocial, o seu voto valia a maioria absoluta, mas depois falhar no mandato e ter uma prestação que daria motivos a Albuquerque para colocar, nestas eleições, uma alternativa no PSD para ser candidato à presidência do principal órgão da Autonomia. Não foi o caso, o problema tornou-se inultrapassável pelo mandato que José Manuel Rodrigues está a fazer no Parlamento, é verdade que centralizado na sua figura, o que não foi por acaso, mas também com méritos de abertura da Assembleia ao exterior, chamando assim várias iniciativas e ganhando "adeptos" numa abrangência que lhe tem valido notoriedade e importância, deixando margens mínimas para qualquer figura que lhe sucedesse no cargo, além de que, com todas as acusações de assumir para si uma visibilidade nunca antes vista pelos detentores do cargo, todos do PSD, ainda teve tempo para fazer alertas ao Governo, menos agora por causa da proximidade de eleições, mas fez o que nenhum outro fez e com isso também foi dizendo presente do ponto de vista político. José Manuel Rodrigues foi inteligente do ponto de vista político e deixou Albuquerque sem reação para mudar. Agora, para o líder do PSD, antes uma "briga" dentro do PSD-M, nada que uns ajustamentos de posições não resolvam, do que propriamente um arrufo de José Manuel Rodrigues, que neste momento é o homem do CDS que mais problemas poderia dar ao líder social democrata.

O Diário publicou ontem que o acordo PSD/CDS está fechado, sendo que hoje dá conta da possibilidade de José Manuel Rodrigues ser colocado em 10.º lugar, o que a ser verdade a lista da Coligação teria dois lugares em dez para o CDS, com Miguel Albuquerque em número um e previsivelmente Jaime Filipe Ramos, José Prada e Rubina Leal também figurando no "top10". Nada a ver com o método de Hondt. Mas tudo a ver com a estabilidade que a coligação promete e que só sairá "furada" se mesmo assim não for possível a maioria absoluta com 24 deputados.

Albuquerque não está muito confortável com a ideia de uma tensão interna, também acha que o candidato a presidente da Assembleia devia ser do PSD, o partido maioritário tendo por base as eleições de 2019. Mas não tem qualquer hipótese de argumento nem quer problemas com o CDS, além de que o líder do PSD está a dar lugares para não ceder tanto nas políticas do seu parceiro em termos de propostas de fundo, que na prática são aquilo que o PSD quer.

Mas esta opção, neste momento, por manter a candidatura de Rodrigues caso a coligação vença as eleições, também resolve os egos internos, que se fizeram sentir recentemente quando o nome de Cunha e Silva foi lançado por alguns molitabtes, o que motivou inclusive uma reunião de emergência de José Prada e Jaime Filipe Ramos com Miguel Albuquerque para manifestarem uma reação contrária a essa eventual opção, entretanto posta de lado pelo reduzido consenso que Cunha e Silva suscita internamente.

José Prada também tinha e tem as suas ambições. É vice da Assembleia e a presidência era um cargo que lhe agradava e terá manifestado isso mesmo a Miguel Albuquerque, mas sem correspondência em termos de decisão. Restava Rubina Leal, também vice do Parlamento, com larga experiência política e a quem o cargo poderia agradar, embora sem a manifestação frontal de interesse profagonizada por outros potenciais candidatos. Só que José Manuel Rodrigues "eliminou" candidatos já há muito tempo e Albuquerque ficou sem outra saída que não seja esta cedência ao CDS.


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