Buscar
  • Henrique Correia

Manual dos que (des) esperam pelo segundo teste; conheça a "Via Sacra"


Saiba para onde ligar, para onde mandar mensagens. Segundos testes de passageiros de Santa Cruz e de Câmara de Lobos geridos pelos respetivos delegados de Saúde. Funchal gere o resto. Testes feitos no Hospital Dr. Nélio Mendonça



Já aqui escrevemos que as medidas adotadas pelo Governo Regional, relativamente à contenção da Covid-19, foram positivas, na generalidade, mesmo que algumas, como de resto aconteceu noutros países e regiões, com outros governos, no mundo inteiro, sejam por intuição. Este é um ponto prévio.

Acontece que algumas das medidas, avançadas do ponto de vista político, não têm a devida correspondência do ponto de vista das condições de exequibilidade, uma vez que os meios disponibilizados são escassos para a necessidade de uma resposta eficaz. É o caso da exigência do segundo teste no regresso à Madeira, para profissionais de Educação, Saúde, forças de segurança, Proteção Civil, e mais recentemente para estudantes universitários, residentes e emigrantes. Não está, na realidade, a funcionar com a eficácia pretendida, o que neste caso deveria ser ponto de honra, atendendo a que mexe com pessoas num contexto já de si difícil de pandemia. Uma medida que, já se percebeu, anda como o vírus, um pouco por tentativa e erro. E, claro, percebe-se isso quando há falhas, muitas, no circuito.

O processo começou com o anúncio da medida, por parte do presidente do Governo, a chamada decisão política. É para fazer, logo se vê como e a metodologia. Como esta ainda não estava decidida, na altura, não foram anunciadas informações mais pormenorizadas, que seriam importantes para a opinião pública, entre elas o local de feitura dos testes e a receção da notificação, presumindo-se que, entre o quinto e o sétimo dias, como estabelecido, o passageiro iria receber uma informação, pela mesma via do resultado do primeiro teste e pela solicitação da temperatura, através da plataforma Madeira Safe. Presumia-se bem, era isso que o sistema ia gerar. Era, em muitos casos não é, o sistema não gere e passa o prazo de 7 dias, os dias seguintes e nada, continuam pedindo a temperatura. Assim, conseguem que, entre cem pessoas, só dez por cento é que continua em casa e nem liga mais ao assunto. É o que se passará no Natal, com o regresso dos estudantes e dos emigrantes, se o sistema continuar como está.

Os que são mais responsáveis, mesmo com a paciência feita num "oito", não perdem a esperança e ligam, mandam mensagens, voltam a ligar e percebem, muito bem, que afinação é coisa que não faz parte, neste momento, do sistema. Os profissionais não têm culpa, andam completamente às "aranhas", e percebe-se, uma vez que, repentinamente, caíram-lhes em cima mais testes para programar, para fazer e para dar resposta às mensagens. Não há "milagres". Ou há meios ou isto do segundo teste não funciona, vai dar "barraca".

Por todas estas realidades, decidimos fazer serviço público e informar os passageiros nestas condições, que são todos menos os turistas. Não sei se há outros que, julgo, devem ter entrado como turistas mas não são, como os que fazem visitas oficiais e, se calhar trazem teste feito e ficam por aí, como o diretor da PJ, o antigo Chefe da ZMM ou Ana Gomes, entre outros. Devem ter estatuto especial.

Decidimos, por isso, fazer uma espécie de "manual" para aqueles passageiros que continuam em casa à espera de notificação para o segundo teste e que alertam para o facto de terem passado sete dias sem notificação para o efeito. Para os outros, também, sobretudo os estudantes universitários, para que fiquem com a informação, endereço de e-mail, números de telefone e a quem "gritar por socorro":


Dia zero: boa receção no Aeroporto Internacional da Madeira CR 7. Com cordialidade, leva uma água, uma banana e uma máscara antes de levar com a zaragatoa por três lados. Processo rápido, profissionais simpáticos. Sai, pensando que ainda tem mais um a fazer, no máximo, dali a sete dias. Paciência, é preciso e pronto.


Sete horas depois recebe resultado do teste: negativo


Dias 1, 2, 3, 4, 5 e 6 recebe informação para dar conta da temperatura. Dá sempre, missão cumprida e continua o isolamento.


Dia 6 - Vê o tempo a passar e liga para a Linha Saúde 24. É rápido, quer saber como é o procedimento se não receber notificação para o segundo teste. Aí já começa a perceber que pode correr mal. Dizem que, às vezes, o sistema não gere notificação. Respondem que, se passar o sétimo dia, às 20 horas, hora limite para as colheitas, deve mandar mensagem para um endereço que, por acaso, demora quase um minuto a dizer e escrever. Aponta para não se perder e quase se perde a apontar. Não há um mais simples?

uesp.madeira@iasaude.madeira.gov.pt


Dia 7 - manda mensagem explicando que ainda não foi notificado, dá pormenores e fica à espera.


Dia 8 - Não teve resposta da mensagem. Decide voltar a ligar para a Linha Saúde 24. Dizem que é outro departamento e que não podem resolver. Quer números de telefone? Aí percebe que, afinal, há número para onde ligar, pensava que era só mensagem. E a mensagem que enviei? Parece que não há capacidade de resposta, há mais de 500 à espera. Recebe os números, mas fica a saber que pode demorar a atender. Os nuneros são estes:


969320327

969320235

Liga para os dois e foi uma sorte conseguir ligação meia hora depois. Vá lá, com simpatia. Dá o nome, sabe que não é único nessa situação, acontece. Vão ver e já ligam. Rápido, ligaram. Como é um passageiro de Santa Cruz, não é com o Funchal. Fica a saber nesse momento que há diferença. Outra informação que não foi dada. Percebe-se porquê. Os segundos testes de passageiros de Santa Cruz e Câmara de Lobos são geridos pelos respetivos delegados de saúde. O Funchal gere o resto. Começa a perder a paciência mas respira duas vezes.

Liga para o Centro de Saúde. Passam para o delegado. Deixa o nome, quem trata disso é o delegado, parece que é numa plataforma qualquer. O delegado não está, quando chegar dou a informação e depois vai receber a notificação para fazer o segundo teste como recebeu para o resultado do primeiro.

Finalmente, vem a parte menos má. Recebe telefonema do delegado, com cordialidade e com a marcação do teste. Ainda bem que insistiu, o sistema não gerou, o problema já foi reportado.

Assunto tratado. Teste no Hospital Dr. Nélio Mendonça.

Fica a pensar naquilo que vai fazer depois do resultado do teste, no pressuposto que é negativo. Antes disso, contoninua isolado e nem de carrinhos elétricos pode andar, este ano não há. E para outro lado, nem pensar, ainda o apanham e, como prometeu o Governo, quem não cumprir confinamento pode ir para isolamento compulsivo.

E se o Governo não cumprir? Vai para onde?


1,269 visualizações